O que vai ser de nós quando a música partir em estilhaços os ouvidos ?
Vão ser horas. horas de minutos, pintadas a vermelho e preto, que são as cores que te identifico e com as quais acho que te pintas quando acordas. vão ser abraços quentes, com sorrisos nostálgicos, e se a noite assim quiser e assim providenciar, vão ser sinapses labiais que encobrem rostos para que eles não vejam o que os incontroláveis fazem quando ninguém lhes crava os olhos.
Vai ser o som da pele a roçar na pele, a epiderme a sentir os pêlos a eriçarem-se, o quente dos corpos na noite fria de um dia de Outubro. Se um alguém deixar, um outro alguém vai pedir ao céu que não seja fátuo como é rotineiramente, nesta cidade de fábricas e gases, vai pedir para deixar que as estrelas mostrem a bainha da sua saia.
E que vai ser mais, quando a música se calar ?
Vão ser palavras dançantes e mimalhas que saem sem medo.
Eu não tenho medo de me despir quando tu estás a olhar.