terça-feira, 31 de março de 2009

Melancolia


Estou a escrever à medida que ouço uma música triste, não sei se alguma vez aconteceu a algum de vocês (leitores) , pararem no tempo e reflectir sobre todas as pessoas que ja passaram na vossa vida, bem, a mim já. Neste momento não posso deixar de pensar no 24 de Agosto de 2006, muito menos quando conheci o meu melhor amigo. Desculpem. Foi sem querer, não quis ser fria, não vou começar a tornar este texto demasiado irónico, quero mostrar-vos como tenho sentimentos e os sei demonstrar, mesmo que por vezes sinta uma certa dificuldade em fazê-lo, para que assim seja, vou dedicar este desabafo ao rapaz que durante muito tempo me fez mais feliz.

Eu tenho de confessar uma coisa. Tu fizeste-me verdadeiramente feliz, nunca o vou negar. É indispensável agradecer-te por me teres feito esquecer momentaneamente o que é a tristeza, o sofrimento. É também tranquilizante sussurar-te enquanto choro, de que se algum dia agi de cabeça quente, perdoa-me, eras a ultima, acredita em mim, a ultima pessoa que eu queria magoar. Sempre que nomeares pessoas a quem moldaste o coração,por favor, não te esqueças de me mencionar, tornaste-me uma pessoa melhor, juro-te.Não sei se esta, esta coisa, te está a custar tanto a ti como a mim, mas caso esteja, lembra-te de que nada é para sempre e tudo tem um fim, nem que esse se adie até ao dia da nossa morte. Esquece as melancolias, as discussões, as atrocidades que disssémos um ao outro, os prejúrios, lembra-te sempre dos sorrisos, abraços, pequenos coraçõezinhos, lembra-te de mim, dos meus olhos azuis e verdes (conforme o tempo), a olhar para os teus olhos verdes lembra-te de ti a revirares-me o cabelo, mas acima de tudo, lembra-te de nós, que fomos, somos e sempre seremos, parte de algo muito grande, quer tenha este fim ou não.


"quem deixou o coração sobre um feixe de luz, não cega nunca".

segunda-feira, 30 de março de 2009

Retrato




Estava no pátio de um castelo antigo, construído de emoções. As escadas eram de papel e a música começava a ser a de sempre. Fechou os olhos e ele apareceu calmamente, como se sempre tivesse existido.
Não conhecia o momento a partir do qual ele tinha começado a conhecer o barulho dos seus passos, naquele paraíso inventado, nem sabia sequer se isso o desencanta. O que sabia era que aquela intimidade lhe trazia certezas fáceis de sentir – Gostava tanto de estar ali com ele !
Não conhecia as ruas por onde ele andava, nem o autocarro que o levava de volta a casa. Não sabia a que cheirava Lisboa num maravilhoso dia de sol, nem a qual a sensação visual ao vê-lo, com a camisa desapertada, no fim de mais um dia de trabalho. Não sabia se os seus olhos mudavam de cor com a chuva, nem qual a cadeira que ele usava quando se sentava na cozinha, a jantar. Não sabia qual o nome do seu amigo mais antigo, nem qual o cheiro do seu casaco de Inverno preferido.
Para ela, ele era um homem de pés descalços, feliz e surpreso, na areia morna de numa praia numa noite de verão.
Uma fotografia, a dois, num fim de estação, ventoso e frio.
Era todas as músicas deste mundo e do outro. As palavras maravilhosas que escrevia e os dias quentes de Verão.
Era cada um dos sonhos partilhados em mais uma noite de palavras na qual as paredes daquele castelo, só deles, tomava forma.
Era o passado e o presente, sem medos.
Não o conhecia pelo que aparentava ser. Conhecia-o pelo que era.
E nunca deixou de assim ser.