domingo, 17 de outubro de 2010



Há dias assim.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010



E de um momento pro outro foi-se.
Equilibrou...

domingo, 26 de setembro de 2010



Tic Tac Tic Tac. Está quase.

sábado, 25 de setembro de 2010

Balanço

Li ontem num ficheiro de Psicologia Social que a adolescência se prolonga até aos 18/20 anos e fiquei aliviada. Sempre me achei demasiado instável e indecisa para a minha idade, que devia ser mais calma, ponderar bem e decidir com alguma agilidade, e nunca consegui ser assim. De precipitada passei a extremamente indecisa. De decisões rápidas e mal pensadas passei a decisões lentas, muitas vezes a não-decisões. Isto porque ficava dias, semanas, meses a ver prós e contras e nunca chegava a conclusão nenhuma. Não me parecia que houvesse um lado que merecesse ser escolhido. Sempre tendi para o exagero.
Continuo assim, mas acho que agora tenho uma noção do que quero fazer. Um ano parada fez-me bem. Todas as pessoas me julgaram. "Ah, porque devias estar na faculdade como nós, já fizeste um ano de melhorias, tens de avançar", dizia a amiga que passou de bestial a besta, precisamente por causa da faculdade. "Ah, porque Coimbra é uma óptima cidade para se estudar", dizia a avó que mal sabe ler. Todos temos defeitos, todos cometemos erros e tomamos decisões que nem toda a gente aprova. Eu própria não gostei a 100% da decisão que tomei, mas sei que teve de ser e olhando para trás, faria o mesmo se tivesse que regressar àquele dia de Janeiro em que fiz as malas e entreguei a chave do quarto à cusca da porteira. Foi dos dias mais felizes da minha vida. Nunca me vou esquecer do que senti quando pousei as malas no comboio e pensei "Nunca mais cá volto!".
Depois foi um ano complicado. Ninguém pense que foi maravilhoso estar em casa meses a fio sem incentivos para estudar. Vir para casa foi o oposto de desistir e tive de travar batalhas diárias para estudar 6h a 8h num ambiente de fome e de sono. Fartei-me de ver os móveis da sala, os livros, as rotinas de quem realmente vivia, as cadeiras do Norteshopping começaram a reconhecer-me e lá consegui chegar ao fim do ano com tudo estudado. Não tão bem como devia ter sido, mas foi o melhor que consegui.
O que retiro deste ano não é só isto. Sim, provei que consigo ser persistente e que tenho uma força de vontade enorme, que sei-me sacrificar e esforçar, mas consegui reflectir num monte de coisas que sei, que se tivesse uma rotina, não o faria. Livrei-me de sentimentos maus, de coisas que não tinha ultrapassado, pensei de diferentes maneiras e pus-me em paz comigo mesma. Posso dizer que neste momento sou feliz e que entrar na faculdade é a cereja em cima do bolo. Estou em paz comigo mesma e o que vier é lucro. Claro que não vou cruzar os braços agora. Vou é arregaçar as mangas, porque a minha vida está prestes a começar. E quem sabe com o tempo, talvez passe de adolescente a adulta.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


Já me aconteceu ter saudades de alguém que estava mesmo ao meu lado. Já me aconteceu chorar por dentro pela ausência de alguém, costumo ter saudades. De uma gargalhada, da sombra de alguém, de uma conversa, de um aceno com a cabeça, às vezes de um sorriso, outras vezes de tempos que não me lembro muito bem, mas que imagino terem sido fantásticos.

As saudades tuas são diferentes. São algo que temo sentir. Que sei que me vai doer, por me faltarem as palavras e o quentinho no coração, se, por circunstâncias adversas, uma tempestade ou um terramoto, como na meteorologia, te ausentares ou distanciares de mim. Porque, podes não acreditar, mas fazes-me falta. E pode ser estranho para ti, mas quando eu me empenho não desisto fácil.

A minha alma sente a tua falta porque me completas e conheces de uma forma que poucas pessoas o fazem. E isso para mim é uma prenda de Natal eterna. No melhor embrulho e com a melhor fita a enrolar. Não há nada melhor para mim do que me conhecerem bem. Saberem o que penso sem eu dizer, saberem o que preciso sem eu pedir e, como me conhecem, darem-me q.b. porque sabem que exagero sempre. E tu “és o que me faz falta”. És ponto de equilíbrio. Por isso, fica. Sê meu amigo, sê um adepto do meu rabo enormíssimo, o que tu quiseres, mas fica. Porque eu gosto de ti e vou sentir a tua falta. E porque já ando a ver sofás na net e seria um vazio se o esforço fosse em vão.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu não sei falar de amor

Oh vizinho, ora bom dia
como vai a saúdinha?
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e este tempo?
a chuva dá pouco alento...
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e o carteiro?
que se engana no correio...
e eu não sei falar de amor...

E soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer...

A timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio
quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario...

E retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar...

E o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar...

Oh vizinho e a novela?,
será que ele ficou com ela?
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e o respeito?
não se leva nada a peito...
e eu não sei falar de amor...
refrão

Oh vizinho então Adeus
vou cuidar de sonhos meus
que eu não sei falar de amor..

Deolinda, Eu não sei falar de amor :)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A minha história de amor - I


E nisto caí. Já era bem comum às minhas caminhadas um tropeção, uma cabeçada numa árvore, cheguei mesmo a cair num buraco, mas neste dia, para compensar a sorte que não tinha tido, caí numa poça de água. Uma coisa nojenta, lamacenta com um sapo enormesco verde a fazer os típicos barulhos de anfíbio. Gritei e tentei levantar-me mas com o barulho dele a gritar contra mim, ainda me afundei mais. Em vez de ter os pés afundados na lama, fiquei com o rabo e as minhas cuecas enterradíssimas. O sapo sempre a olhar pra mim. Os berros dele ficaram mais próximos e foi aí que ví o bonito que ele era. Alto, moreno, de olhos verdes, pena estar completamente sujo, mantive as esperanças até que aquele ser extremamente belo, trocou a expressao neutra por um olhar raivoso e aí tive medo.
- Esperei 2 anos, repito, duas vezes 365 dias, para ver este fenómeno. Passei o Inverno, o Verão, o Outono e a Primavera sentado naquele pau, travei uma batalha com um urso pra conquistar o mísero pau, e agora, agora que estava quase a conseguir, tu, com o teu mau equilíbrio decidem vir cair aqui em cima? Que mal fiz eu a Deus! Por amor!!
Fiquei estática. Só ouvi blábláblá urso e qualquer coisa semelhante a números. A beleza dele era superior, como algo de um planeta longínquo, tipo Hollywood onde tudo é lindo e maravilhoso. Até as pessoas que eu considerava bonitas ou extremamente maravilhosas no meu mundo citadino eram vagabundos quando colocadas ao lado daquele ser, vindo de um Planeta distante. Foi então que me apercebi que já estava à mundo tempo calada e murmurei algo que ainda hoje não sei bem o que foi. Pelos vistos, fiz bem, porque ele mudou logo o tom de voz e amavelmente pegou em mim, deixou a minha Prada lá com o sapo, mas na altura só conseguia olhá-lo nos olhos, era secundário tudo o resto, e levou-me para uma casinha como nunca tinha visto. As paredes eram verdes de trepadeiras que as rondavam, saia fumo de uma pequena chaminé e o alpendre era feito de uma madeira que se falasse tinha muitas, infinitas histórias e estórias para contar. Pensei que estivesse a sonhar. Se calhar todo este raciocínio era resultado do bater com a cabeça numa pedra, sei lá bem, mas quando me senti enrolada naquela manta com cheiro a hortelã e ao sentir o quente da chávena chocolate na minha mão, vi que era verdade. Ele olhava-me sentado no chão, como se eu é que fosse a estrangeira e tentou perceber que língua falava. Nada me saia e talvez ele tenha ficado com a impressão de que eu era deficiente mental, não sei, mas eu só conseguia contempla-lo. E já que ia ficar com a fama queria muito o proveito.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Happy Birthday Becas




Parabéns Melhor Amiga :)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Demasiado Sentido Para Ter Sentido

Eu perguntei-lhe e ele respondeu que são vidas que sobem e descem como ruas do Porto ou de outra cidade qualquer e se houve coisa que eu pensei foi que a resposta não era estranha, pensei antes que a resposta foi algo bem respondido e bem inteligente para o contexto em questão que, por acaso, nunca cheguei a saber qual era. E nisto, muito repentinamente, muito rapidamente, muito ferozmente e uma data de coisas começadas em muito e acabadas em mente que não mentem e costumam ficar na mente, ele subiu as escadas e veio ter comigo. O que vocês ainda não sabiam era que a conversa anterior tinha sido feita em posição de serenata. Nada de perversidades, eu estava na varanda cá em cima e ele lá na porta em baixo, ficam assim agora a saber. Como disse, subiu as escadas para vir ter comigo. E aí o mundo mudou. Entrou uma luz dourada magnífica, belíssima pela porta do meu quarto que me atravessou o coração e me embelezou aos olhos dele e ele beijou-me e pediu-me o pé em casamento. Na primeira tentativa ia pedir a mão, mas escorregou nuns trapitos que lá pelo chão andavam e lá teve de ser o pé, também se querem que vos diga pedir a mão é muito banal e ele com o seu único olho e eu com os meus oito dedos sempre tentamos fugir a essas coisas comuns. Casualidades, formalidades e o casamento veio para nos casar. Era meia noite e o meu amor tardava. Pensei que me ia fugir mas entretanto lá chegou ele com as flores que apanhou e um brinquedo pró menino, já dizia a Deolinda. Foi pena a criança ainda não ter nascido na altura, feita já devia estar, então com as demais tentativas até já podia ter nascido outro exército alemão com armaduras de kevlar e munições, espaço era coisa que não devia faltar.

Fim.

sábado, 24 de julho de 2010

Cara "R", lamento informar-te mas este post não foi escrito por quem tu achas que foi. Este blog é partilhado por duas pessoas e acho que devias ter um bocadinho mais de respeito até porque lá por tu estares por todo o lado não quer dizer que sejas proprietária de tudo e de todos.
Passo a dizer também que meteres-te no que não és chamada também não é uma coisa que te fique bem. Se és assim tão sábia como demostras ser (sim, porque vens pros blogs das outras dar conselhos sem ninguém o pedir.) deves ter mais do que fazer do que andar a cuscar as coisas dos outros. Deixa que te diga que “tens muito que aprender” e “saber ser-se adulta” é deixar os desconhecidos viverem a vidinha deles sem te intrometeres. Sim, porque há vida depois de ti, “R”.
Aprender a interpretar as palavras e a reconhecer a escrita das pessoas é capaz de te ser útil no futuro. Até porque este texto era uma espécie de despedida, mas enfim, cada um vê o que mais quer ver.
Agradecia que não voltasses a este “mundo de fantasia”. Não é pessoal, mas não gostamos das tuas palavras cá.
Cumprimentos,
Becas, a segunda -.-

P.S- ahahahahah

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estávamos prometidos um ao outro assim como Pedro estava prometido a Inês de Castro, Romeu a Julieta e talvez até como os chocolates estão prometidos às mulheres em noites de Anatomia de Grey. Promessa feita às linhas do destino que traçam teias de aventuras e romances históricos e ainda vidas sem interesse algum.
Estávamos prometidos um ao outro porque provamos conseguir criar magia juntos e tal feito só tinha existido na era em que existiam dinossauros a voar em vez dos actuais aviões. Mas tudo se complicou quando as pessoas acreditaram que o destino eram elas próprias quem o criava e começaram a agir por conta própria. E eu lamento. Lamento porque é verdade e porque esta verdade nada devia alterar. Já se verifica à muito tempo mas nem todas as pessoas conseguiram abrir os olhos de maneira a o conseguirem ver. Quando o fizeram foi a chamada "loucura total" e nunca mais existiu a porra de uma alma que tivesse sossego na vida ou no que quer que elas tenham, e isto se é que elas existem. Mas quer existam quer não a realidade é a mesma e não há santo ou milagre que nos valha. Por isso bem que podemos esperar sentados tal como os alentejanos ainda esperam que as azinheiras produzam azeite "Galo" embalado e com o rótulo etiquetado, feito esse que há-de acontecer um dia, espero eu e a população alentejana também.
Esperar por ti, meu prometido, talvez já não seja uma opção; agora a vida humana é mortal e eu também quero ser feliz, mas amar-te acredito que seja a parte eterna da minha vida. Nem que te ame apenas com um bocadinho pequeno do meu coração.

domingo, 11 de julho de 2010

Isto é uma estória verídica.



Estava escuro. e frio. ele tinha ficado, porque ja era tarde e nao queria dormir. ela estava ali perto mas ele só tinha olhos para aqueles que falavam muito e riam muito. tantas foram as vezes em que ela lhe lançou olhares suplicantes, olhares sedentos de atenção, de palavras, de carinhos, de amor e abraços quentes. todos à sua volta tinham percebido que ela andava cabisbaixa, olhar sempre no chão. mas ele, egoísta e egocêntrico dizia que ela estava bem, só porque ela lhe dizia que estava sempre tudo bem.

(porra, as vezes gostava que visses para além daquilo que é visivel.)


mas estava frio. e ele ficou. ela foi, com alguém que não ele.mas alguém que já lhe tinha conquistado a atenção, que a tinha cativado desde o primeiro milésimo de segundo.

_

E andaram por aquela rua muito escura, com as estrelas como tecto, com as árvores a aconchegar. Ele abraçou-a, e ela fechou os olhos porque tinha medo do escuro e gostava daquela sensação de protecção.
Foi estranho quando me perdi nele. quando deixei que ele me tocasse mesmo sabendo que não eras tu que ia encontrar quando abrisse os olhos. foi estranho dar tudo a quem nunca pediu nada. foi estranho querer sempre mais, e foi estranho ver o sorriso dele quando já estava exausto. foi lindo, mas assustador.


o tempo passou, a marca ficou.
"ao que parece, o meu corpo não te esquece.."

domingo, 4 de julho de 2010

Eu vou continuar a correr, está bem? Vou ansiar ininterruptamente por qualquer coisa que não sei o que é nem onde está. E vou percorrer novos rios, mas sempre na margem (porque eu sou decadente, e os decadentes ficam sempre na margem do rio). Nunca irei por trilhos traçados, porque esses afundam vontades e opiniões.

'E vais sozinha? '

Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.

'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.

'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.




[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]

sábado, 3 de julho de 2010

não me canso de olhar, tudo e todos, enquanto não é hora. com maldade superficial, alto gordo triste morto, ignorante animal. ou não tanto, eufórico génio pintor, aquele escreve o outro canta com os pés; esta fala por falar, não diz nada e pensa que a ouvem. ninguém ouve para além do que diz, podes contar que até ouvem mas não ouvem - o lugar ao meu lado está livre, senta-te e vem gozar o mundo comigo, não nos iremos ouvir, só troçar dos outros - e eu vejo-os a todos, todos iguais mas também não ouço nenhum, falta-me o interesse sabes, e devaneio mais alto do que falo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu sei dizer adeus.

Se é isso que te preocupa, se é por isso que não sabes ir embora, já vais tarde. Se é isso que te invade os sonhos e os torna em pesadelos, dorme descansado. Se é por minha causa que ainda olhas para trás, continua, eu não me perco.

Se é por isso que tanto hesitas em seguir, eu aprendi a dizer adeus.

Aprendi a dizer adeus de costas voltadas ao passado, aprendi a dizer adeus de olhos fechados às memórias, aprendi a dizer adeus de lágrimas cerradas à revolta. Aprendi a dizer adeus com um sorriso nos lábios e um nó nas palavras, podes ir embora. De que tens tu medo, se quem perde sou eu?

Se é por tantas histórias que contas, eu já li todos os possíveis finais.

Vais embora, como eu sempre esperei que fosses. Vais para longe, sem saberes de onde vieste. Vais seguir em frente porque toda a tua vida se passa a alta velocidade e tu já paraste tempo demais perto de mim. Vais fugir das palavras porque não sabes como as falar.

Tudo bem, eu já sabia, podes ir-te embora.
Tu vais, o sorriso fica.


- adeus.
não fizeste nada de mal, até porque:
' não há nada completamente errado no mundo,
até um relógio parado consegue estar certo duas vezes por dia. '
homem, não tenhas medo, a escuridão em que estás metido aqui não é maior do que a que existe dentro do teu corpo, são duas escuridões separadas por uma pele, aposto que nunca tinhas pensado nisto, transportas todo o tempo de um lado para outro uma escuridão, e isso não te assusta, há bocado pouco faltou para que te pusesses aos gritos só porque imginaste uns perigos, só porque te lembraste do pesadelo de quando eras pequeno, meu caro, tens de aprender a viver com a escuridão de fora como aprendeste a viver com a escuridão de dentro, agora levanta-te de uma vez, por favor, mete a lanterna no bolso, que não te serve de nada, guarda os papéis, já que fazes questão de os levar, entre o casaco e a camisa, ou entre a camisa e a pele.

- saramago

sábado, 19 de junho de 2010



José Saramago.

terça-feira, 15 de junho de 2010

releio. misturo o que é de mim com o irreal, mesmo que exista muito de irreal em mim. queria dizer-te que sim, a tudo. sentir-te que sim, porque sim. aquelas paredes minhas já não me pertencem, de onde sou? não me reconheço, nem os reconheço. o mundo desabou assim que deixei acontecer o que eu própria tinha proibido. lembro-me do que já esqueceste, com todos os detalhes que não te significaram. não havia nada para significar. lembro-me apenas do que quero lembrar, sabendo que deveria esquecer. ignorar é o que faço perante os outros, perante ti quando em mim existes. sempre. os mesmos relatos, outras palavras. canso. canso-me. onde está o significado das coisas? perdi-o.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Please Try

O ser cresce de dentro para fora. Se puseres água na planta, ela entra nas raízes e força o caule a crescer, as folhas a nascer, as flores a desabrochar. A terra do canteiro é fértil e deves usá-la para fazer a plantar crescer. Se tiveres dois meios ligados por um tubo, e um deles tiver mais água do que o outro, esta vai ter tendência a movimentar-se do meio com mais água para o meio com menos água, entende-me. Chama-se osmose. Não vale de nada manteres um paciente ventilado, se quando lhe retirares o oxigénio, ele morrer por asfixia.
Não sei dizer isto de outra forma.

"O amor é fodido.
Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.
É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.
Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para o pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."


'O amor é fodido.'
Miguel Esteves Cardoso.




Se ainda valer a pena sabes como me encontrar. Diz alguma coisa se ainda acreditares em tudo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

.Não importa. Não importa. Se eu começar a escrever coisas sem sentido, será que o mundo vai deixar de descrever a sua órbita tão eliptica em torno do sol? Prepara-te, é dadaismo puro em palavras histéricas. Com camisa de forças, e só me sinto a gritar. Nada muda, é sempre a mesma coisa, as mesmas coisas, as pessoas a matarem, as pessoas a morrerem, as pessoas a colocarem-se no centro do mundo como se fossem DEUS, mas DEUS nem existe, haviam todos de saber. Se todos soubessem que DEUS não existe ainda se matavam mais, ainda se morria mais, ainda bem que DEUS existe e se vende nas drogarias, porque senão isto seria tudo um grande caos, e aí sim seria o fim do fim, seja lá isso o que for.
.....E eu também acredito em DEUS, porque me olho todos os dias ao espelho e digo que sou capaz de tudo, que movo montanhas com as minhas mãos e que arranco o branco das nuvens com a minha boca. DEUS sou eu, e és tu que me lês, e somos todos feitos da mesma matéria, somos todos pequenos deuses de tudo, que é como quem diz, de nada. E não há maior manifestação divina do que o choro de quem nasce, do espasmo de quem tem um orgasmo, do arrepio de quem tem frio.
.....E se isto não fosse assim, esta decadência nas ruas, esta podridão nas cabeças, só te digo que preferia viver na rua do que ter quatro paredes e um tecto. É utópico é, mas há quem viva a acordar às seis, a levar os filhos ao infantário, a ir trabalhar, nem sequer gosta do chefe que é mal educado e que já lhe propôs coisas sexuais, e até se é uma mãe de família, mas leva-se com aquilo tudo todos os dias porque se precisa, há quem viva a ir buscar os filhos ao infantário, a fazer o jantar, porque tem o marido cansado coitadinho a descansar e a ver a bola, e há quem viva a adormecer estremecendo, a um ritmo cadenciado, como quem já nem sente, já são tantos anos, e o desgaste e a falta de pormenores por descobrir já é tão grande. Mas há quem viva a ser uma mulher e mãe exemplar, e há que trabalhar e procriar, porque para outra coisa não fostes criados, seus vermes imbecis. Olhem que DEUS castiga.

.....E isto não e nenhuma espécie de catarse revolucionária, como quem vai mudar o mundo ou fazer uns valentes cortes. Não. Tenho tantos sorrisos no corpo que era preciso uma vida para os sorrir a todos. Vamos lá comer tremoços, que agora assim de repente, me parece a resposta mais adequada para todo o sentido da existência.

domingo, 30 de maio de 2010



Porque nós temos a intuição do tempo.

A nossa vida desenrola-se como uma sucessão de fotos tiradas por uma polaroid já ultrapassada, com curtas palavras escritas na parte posterior, como o jovem que guarda nomes na parede do quarto. Tiramos fotos a um ritmo frenético, só para que um dia quando formos velhos nos lembremos de como os nossos movimentos eram rápidos e descompassados, e caóticos, e rebeldemente vazios de significado. gostamos das polaroids porque são instantâneas, tal como é e sempre será a nossa existência. Trazemos uma polaroid connosco, a qual mais do que registar o que lhe entra pela objectiva, guarda a lembrança das cores de quem por ela espreita.
Crescemos e aprendemos a absorver a vida tal como ninguém a conhece a um ritmo alucinante, pincelando-a com cores garridas que não desbotam. Andamos a dizer às pessoas que os objectos são infinitos, que se prolongam indefinidamente até ao horizonte aonde ninguém chega, através de planos invisivéis à fraca percepção humana. Temos gritado a quem sabemos não ouvir que este real que agora conhecemos neste preciso momento, não será o mesmo no instante de consciência imediatamente posterior, pelo que reconhece-lo-emos de um modo diferente.
Que vivemos a nossa vida numa louca correria desenfreada porque queremos ver tudo, não só uma vez, em jeito de sedenta adolescência em flor, mas sim várias vezes, para que possamos ver como as coisas são na realidade. Para que com batidas de jazz as conheçamos nesta forma, e em livros de filosofia as conheçamos noutro modo, e com sombras estivais as possamos reconheçer ainda noutros moldes. Andamos nesta estrada, sem parar em casa alguma, porque queremos conhecer a realidade em si, nos seus constantes ciclos metamorfoseais.
Crescemos e aprendemos a ver o futuro em noites quentes embebidas em copos de gin, quando a manhã teima em não nascer e a noite está demasiado cansada para se fazer ainda sentir. Não nos demoramos com nada, em nenhum lugar, em nenhum sentimento mais perturbador, em nenhuma opinião mais pantanosa. A nossa boa música ensinou-nos a desenhar asas nas costas nuas, que nos tornam velozes, e os nossos pais deram-nos rodas, bicicleta sem travões numa rua com inclinação, para que nos movamos à velocidade da luz, das coisas e da vida.
E ainda há quem durma, alheio às cores e ao ritmo destas explosões.

[Para que quando chegarem o abismo e a trovoada e os céus sem estrelas e as ruas vazias, para que quando se fizerem sentir as solidões sem música, para que quando as nossas mãos tiverem rugas e a nossa casa for o nosso mundo, para que quando nos resignemos a viver e a correr atrás daquilo que é certo, nos lembremos de como um dia já fomos jovens. Nos lembremos que o mundo era a nossa rua, our bodies like playgrounds, e de como os nossos sonhos nos caíam dos bolsos a cada passo que dávamos. Para que um dia nos lembremos de como já fomos jovens. ]

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Maybe



I don't want to be the one to say goodbye
But I will, I will, I will
I don't want to sit on the pavement while you fly
But I will, I will, oh yes I will

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go
Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back to me

I don't want to be the first to let it go
But I know, I know, I know
If you have the last hands that I want to hold
Then I know I've got to let them go

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go
Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back

I still feel you on the right side of the bed
And I still feel you in the blankets pulled over my head
But I`m gonna wash away, oh I'm gonna wash away
Everything till you come home to me

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
In the future, you're gonna come back,
You're gonna come back

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go

Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back to me
You're gonna come back to me.don't want to be the one to say goodbye
But I will, I will, I will
I don't want to sit on the pavement while you fly
But I will, I will, oh yes I will

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go
Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back to me

I don't want to be the first to let it go
But I know, I know, I know
If you have the last hands that I want to hold
Then I know I've got to let them go

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go
Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back

I still feel you on the right side of the bed
And I still feel you in the blankets pulled over my head
But I`m gonna wash away, oh I'm gonna wash away
Everything till you come home to me

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
In the future, you're gonna come back,
You're gonna come back

Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back around
Maybe in the future, you're gonna come back,
You're gonna come back
The only way to really know is to really let it go

Maybe you're gonna come back, you're gonna come back,
You're gonna come back to me
You're gonna come back to me.

sábado, 15 de maio de 2010


"Para nos lembrar que o amor é uma doença, quando nele julgamos ver a nossa cura."








Desceram a rua, enquanto sentiam o amor a escorrer-lhes das mãos. Aquela pele, dantes impermeável, parecia agora feita de pequenos buracos que deixava o sentimento escapar-lhes antes que tivessem o tempo necessário para pensar se valia a pena guardarem tal vida nas mãos, tal amor nos corações. As palavras, bonitas ou feias (já nem se davam ao trabalho de fazer uma diferenciaçao), combinavam-se com os átomos de carbono e de oxigénio que eles exalavam pela boca, limitação insuportável do ser humano-respirar.
Já não se importavam não saberem esconder os corpos mentirosos, que tinham prometido algo eterno( introduzir aqui designação específica) naquela cama que os vira amar.
A incapacidade de ver um sorriso desconcertante também já não os preocupava, tal era o cheiro do egocentrismo que tresandava daqueles dois corpos que já nada tinham para dar um ao outro. Ela tinha reparado que ele estava diferente, mas já não se lembrava quem ele era.

Devem ter seguido por caminhos diferentes, porque um dia acharam-se ambos mortos num espelho que reflectia rostos que não os seus.

Devem-se ter amado.Digo eu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A noite tem chegado mais cedo. eu sei que já morreste, tenho ido todos os dias á tua campa, mas agora a noite chega cedo e traz heroína com ela. não tenhas pena, eu já não construo bonecas voodoo com a minha pele, já não deixo a minha porta aberta nem me esqueço da chave de casa no teu bolso. o mar agora está finalmente calmo, nem há ondas, só as que brisas serenas trazem. agora já tenho crianças a correrem livres, e a rirem. já nem me lembro de trazer o guarda chuva na pasta, nem de o abrir.
mas às vezes ele diz-me que se eu tivesse um coração, ele seria cinzento.
alguém me emprestou guaches, eu andei a pintá-lo de vermelho. sei lá de que cor era antes, nem olhei. pintei de vermelho vivo, agora tenho um coração bonito e vermelho, e não é a fingir. mas eu (não) tenho um coração?
sei que desde que morreste, está tudo mais barulhento, mas as paredes ouvem-me as saudades dos teus silêncios. de quando não dizias nada, e eu ficava a saber tudo. de ter o teu corpo quente a respirar para a noite, de sentir a brisa que me enebriava os sentidos, de ter o teu perfume a misturar-se com os odores da cidade. tenho-te na memória em momentos recortados a picotado, lembro-me de eles estarem a falar muito, eu nem ouvi, deles a mexerem-se muito, eu nem vi, lembro-me deles a saltaram, nem senti. mas recortei e recordei a tua figura calma e imponente, discreta e serena, a olhar. riste-te e pegaste-me na mão. levaste-me não sei para onde, vamos ter com eles. já não sei para onde fomos, mas sei que me pegaste na mão, havia lá muita gente, dizias apenas vamos para ali, escolheste pegar-me na mão.

hoje sabes-me a chocolate com heroína. é bom ter-te por cá

sábado, 8 de maio de 2010

A sensação é de quem está a estagnar, de quem está parado em águas mortas, a boiar. Se o estivesse, de facto, por cima só veria um céu com muitas nuvens, tantas quanto as necessárias para nem deixar meros raios de sol enfraquecido escapar. Não gosto desta sensação. O mundo lá fora continua a rodar, as coisas continuam a acontecer, o tempo a passar. Mas eu não o sinto, é como se estivesse a andar num fuso-horário diferente do resto do mundo e não me soubesse sincronizar.

Apetece-me gritar, posso?

Acho que estou num daqueles cada vez mais raros momentos em que sinto saudades. É. E o problema nem é eu ter saudades, porque tê-las é bom, é sinal que há alguma parte de nós que ficou algures num tempo e num espaço que é tão carinhosamente recordado, e que nos dá aquele sentimento de pertença a algo, ou alguém. Mau é sentir saudades daquilo que nunca foi. Saudades de um corpo que nunca foi nosso, de um momento que não nos era destinado, de uma palavra que nunca teve significado. Isso é horrível. Achar que temos guardadas horas que pensávamos nossas, mas que afinal nos pertenciam tanto quanto ao não-sei-quê-mais-velho, vamos lá não descambar para os termos menos bonitos. E se eu tentar pôr isto de uma forma mais prática, é como ter saudades daquilo que se pensava que era, e que nunca foi, ou seja, saudades de algo que não sabemos bem o que é nem a quem pertençe.
E é nestas intermitências que me encontro. Num interregno entre nem sei bem eu o quê. Numa existência que roça a vegetativa, enquanto me limito a absorver tudo o que me rodeia por osmose, porque tudo aquilo que me poderia fazer dispender energia renego para segundo plano.

Apetece-me apanhar chuva num dia de sol, sem vozes humanas a atirar silêncios para cima de mim.



A sensação é de quem está a estagnar,
de quem está parado em águas mortas,
a
boiar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010


" Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. "

-Álvaro de Campos
(daquele senhor que agora me acolhe nas aulas de português, e que deve ser dos poucos seres que eu conheço que sabe andar ao meu ritmo.)










-





Eu vou estar sempre sentada debaixo daquelas escadas, na sombra. O céu vai estar a chorar e eles vão dizer com olhos convidativos para eu ir brincar, mas eu vou continuar sempre a achar que está sol. Vou criar um tempo só meu, onde tudo se passe mais devagar que no resto do mundo, que no resto das coisas, das outras coisas. E vou chegar sempre atrasada aos encontros com a sociedade e com as coisas que vivem num tempo diferente do meu.

Por quê? - exclama ela, eu.
Porque nunca soube sincronizar nada. tenho relógios partidos espallhados pelo meu corpo e nenhum deles está certo.
Como vou chegar atrasada a sociedade não vai esperar, porque é apressada e vive as coisas futuristicamente, sempre em movimentos muito bem mecanizados e engendrados. Porventura, vou tentar chamar alguém, a ver se alguém abranda, a ver se alguém nota em mim, se alguém repara em mim. Talvez um dia haja alguém que queria andar ao mesmo ritmo que eu.

Mas voltando à ideia primordial e só para acabar, tenho a dizer que serei sempre feita da mesma merda que todos os outros, com uma diferença. Eu vou ficar sempre debaixo do vão de escadas que me esconde do mundo, e que não vos deixa ver o ser ignóbil que, por muitos sonhos e muita fome que tenha, nunca terá a força (nem a coragem) para mudar nada

domingo, 2 de maio de 2010


A foto é só em jeito de agradecimento,porque às vezes fico sem jeito. (sorrio aqui,agora).




_


(o vincent disse para eu escrever, porque me iria sentir melhor. eu disse-lhe que, às vezes, não [me] sentia.)

Tu foste aquela brisa primaveril, que me despertou os sentidos. é. soubeste fazer com que eu já não precisasse de ensaiar sorrisos em frente ao espelho de cada vez que acordava e via mais uma alvorada que nada me dizia. puseste-me flores na pele e cantaste-me alguns neologismos, que eu nunca tinha ouvido, e que me fizeram ver o quão importante é o simples pormenor de estarmos vivos. A verdade é que hoje ando nos passeios e já não consigo deixar de sorrir, já não fico indiferente às folhas das árvores, e sinto que por momentos os meus pés se levantam do chão, quando ouço o brian a cantar-me dont´ go and leave me, and please don´t drive me blind.

Acho que já não me sinto tão só. E eu sei. Não és tu que estás comigo, é o meu amor (ou qualquer espécie de sentimento que me liga agora a ti.). As pessoas acham sempre que é o facto de alguém gostar delas que as faz sentir bem. Acham sempre que é a outra pessoa que trazem consigo na algibeira que as faz rir como quem é feliz, mas não. As pessoas sorriem e sentem-se no topo do mundo porque o seu amor anda sempre com elas. A sílaba tónica são elas mesmas, e não outrem.O amor delas acompanha-as e faz-lhes ver que tudo pode ser belo, se assim o quiserem.

:
E agora estou deitada a ouvir o que o Brian tem para me dizer e ele está-me a perguntar what´s wrong with this picture?
E eu rio, porque lhe sei responder. Não está nada. Está tudo bem com a tela onde cantaste o nosso amor.(já sei, farei de "amor" um mero conceito com o qual tentarei definir as linhas que nos prendiam, está bem?). Está tudo bem com ele, continua na parede a sorrir-me. E quando eu quero, só me deixa lembrar que um dia já foste a minha brisa primaveril.






E já não custa tanto que Agosto tenha acabado

sexta-feira, 30 de abril de 2010

[ É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas a meu lado
Enquanto o medo vai dançando à nossa volta. ]





Porque eles não gostam que eu escreva histórias tristes.
Eles não me querem ler por eu escrever "suicídio" sem ter medo.
Eles não me querem ouvir por eu não saber contar os finais felizes sem ler no papel. Por não os saber de cor.


Por isso, hoje, vou escrever uma história de encantar.
Que os faça rir, que os faça querer brincar.
Que os faça querer ir lá para fora e dizer a todos como são felizes e como riem bem.
Que lhes dê uma cortina para esconderem a podridão do mundo em que vivem, e que eu gosto de ver.
Não vejam as coisas más, sonhem com as boas.

Um dia acordam do sonho, para ver que vivem num pesadelo.




Mas olhem!
A culpa não é minha.
Não sou eu que torno as coisas lúgubres. Elas são-no.
O problema é que todos se escondem nos seus sonhos cor-de-rosa.
Não é preciso estar-se sempre a rir para se ser feliz.

















































































Não é preciso viver-se numa bolinha de sabão cor-de-qualquer-coisa-feliz para se ser, de facto, feliz.

Um grama de beijinho.

sábado, 24 de abril de 2010

Um dia sonhei que…

Tu viste-me. Eu sei que sim. Eu ouvi o teu riso escondido e senti o teu perfume forte.
Tu sabias que eu estava a cair, que estava a segurar-me só com uma mão, e ouviste-me pedir-te uma corda. (Não ouviste?)
Mas, tu não ma deste.


Acabei por cair…


Também, que pedi eu? Tu não te importavas realmente se eu estava bem. E não há cordas (nem ajudas) disponíveis para amores mortos. Há cordas só para futuros amores. Aí sim, há ajudas, e cordas, e abraços, e palavras (bonitas), e beijos, e beijos.
Para aqueles amores que já o foram e que morreram, não.
Para esses há a pena, há a comiseração, há a …indiferença?


Acabei por cair..


Parti todos os meus ossos. Já não me consigo levantar. Talvez já nem tenha vontade.
Tu corroeste-me o cérebro, sabes? Naqueles jogos de perfeição, de eternidades, de mentirinhas, de falsidade, de..de..
Corroeste-lo tanto que as hemorragias não param. E os demónios que tenho no cérebro já nem falam. Calaram-se. Acho que também morreram (como eu..).

(Continuo com os ossos partidos. E a carne morta. E a mente (e a alma) atrofiada.)














































Ouvi os teus passos. Sei que foste embora.

Sei também que não voltas mais.

(talvez nem queira. Não depois de tudo.
Fizeram de ti um Senhor Cobarde.)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

It´s funny how easily people beat and hurt each other, and how they don´t really give a fuck.

Protect me from what I want.

Don´t tell me babe. I´ve already realized we´re much different, and
I don´t wanna kill you. But we have to learn how to live with the
difference. If we are not able to do that, we will probably crash. end.
finito.

Protect me, protect me.

Hey! What are we fighting for? Ah? What´s your purpose? Hurt?Kill? Fuck?

(here´s a note: I hate the way you keep repeating the word fuck.love.)

" I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen,
I seem to lose the power of speech,
Your slipping slowly from my reach.
You grow me like an evergreen,
You never see the lonely me at all. "


You never see the real me at all. (?)
Here´s the fact. I´m sorry, but I know how to hurt too.
Hurting you, hurting me.
I hurt me, hurting you.


Protège moi, protège moi.












Without you I am everything.
you suck.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sabem uma coisa?
A vida é má.É.

E deve ter um trauma qualquer de infância que a leva à agressão. Gosta de dar pancada nas pessoas.
E bate, bate, bate.
A vida bate-nos tanto que nos deixa sem forças sequer para rastejar. Sem forças para respirar.

Mas, depois de dar tanta porrada nas pessoazinhas indefesas que não têm culpa de serem tão reles e tão imperfeitas, a vida dá um cobertor.
Aconchega.
Dá-nos um chupa-chupa do tamanho do mundo e diz-nos que vai ficar tudo bem.








E depois de andar quase meio ano a fingir sorrisos decidi matar-te.
Risquei-te do papel.
Lembras-te daquele dia que eu tanto falava? Daquele dia em que já nem iria recordar da tua voz?Do cheiro? Da cor?

É hoje.
É.

Adeus.




[Estou feliz.
Bah.
E desenvolvo uma reacção auto-alérgica. É que sou alérgica à felicidade.]

















E olha vidinha, não vale a pena tentares bater-me outra vez.
Eu comprei umas luvas de boxe.

domingo, 18 de abril de 2010

[ Era uma vez um 'ele' e uma 'ela'.
Era uma vez um 'eu' e um 'tu'. ]



[...]
Ele que não tente inverter a história a seu favor.
Não vai ficar por cima.

Que não lhe peça perdão, porque o que fez não tem perdão.
Simplesmente porque ele não fez nada.
Não foi ele quem estragou a pintura. Foram eles.

Mas para que ele saiba, comiserações não.
Está bem ? Penas que as guarde para ele, para quando as precisar.
Aqui a única pessoa que tem pena dela é ela mesma.
Ele não. Ela não deixa. Ok?

Porque ele não vai ficar por cima.

E que não use a dor dela para excitar o seu ego.
Que não ande por aí a espalhá-la, porque ela tem direitos de autor.
Não pense que foi o mau da fita, e ela a menina inocente.







Aqui já não há louros, nem óscares de melhor actor principal para ele.
[...]

sábado, 17 de abril de 2010

Estou a sentir-me ligeiramente molhada.
Parece chuva, mas não o é. A chuva não tem este sabor.
São lágrimas. Estão a chover-me lágrimas em cima. São tuas.

São tuas.

Mas como podem ser tuas se não sabes chorar?
Ah! Já sei. Choras de felicidade. Nunca estiveste tão bem. O teu mundo agora é preto ás bolinhas verdes, eu sei.

Eu, por aqui, vou gritando.
Vou cantando. Tentando [en]cantar-te.
E tu ouves-me. Eu sei que sim. Ouves-me mas não tomas sentido no que te grito.
Achas que te grito do fundo. É o que dá saberes-me tão bem, perceberes-me tão bem.
Eu, por cá, vou morrendo no fosso para onde me atiraste.

Mas sabes, eu sei que tu tens um problema auditivo que te reduz a capacidade de ouvir os outros.
Ouves-me mas não sabes onde estou.
E esse teu problema auditivo, ao qual eu chamo de egocentrismo, vai ser o meu maior aliado.

Porque um dia, eu vou subir uma escada paralela á tua.
[en]Cantando-te.

E vou subir, e subir, e subir.

A única diferença é que a minha escada vai ser rolante.
Porque eu já vou ter sofrido tanto, e visto tanto, e ouvido tanto, que já nada me vai deter.
E tu, como nunca sofreste nada igual, nem viste nada igual, nem ouviste nada igual, vais subir aos soluços, porque vais cair constantemente,tropeçando nos vidros que atiras para o chão antes de o pisares.

E um dia vais-te sentir molhado. Como eu me sinto agora.
E vais-te aperceber que as minhas lágrimas vão estar a chover em ti.
Porque tu conheces tudo de mim, até o sabor das minhas lágrimas.
As tais lágrimas de felicidade.




















































E as bolinhas verdes do teu mundo vão desaparecer.
E depois vais ser aquela cor que não é cor, que é vazia, que é opaca, e que tu vestes na perfeição.
Vais pintar um sol preto no teu céu e vais rir.

Voltaste às origens.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

hum.

O espanto da vida, do que fomos e do que somos, agora que o tempo passa mais rápido. Tenho saudades dos dias que eram nossos, achando o futuro tão longínquo que nos olhávamos ao espelho, achando-nos iguais, sempre. Que caminho teremos nós percorrido que vem dar a esta espécie de coisa nenhuma que criamos. Lembro-me, vês, de quando te senti a respiração pela primeira vez e achei nisso beleza tamanha que não dormi a noite toda. Lembro-te no substantivo e no predicado, e acha a minha lembrança que eras maior do que te afiguras hoje, ou era eu mais pequena e vendo-te mais de perto, te tenho achado gigante entre gente pequena. Hoje somos nós gente pequena, no meio de gigantes desconhecidos, que nos mostram termos seguido caminhos errados. Entristece-me a falta de brilho nos olhos, o recreio de escola primária pública no qual os nossos corpos parecem ter-se tornado, a dor que antes era sentida e que nos lembrava que não podia estar sempre a chover e que agora parece arranhões que nem se sentem, porque vivemos a vida nesta nossa futilidade própria de quem espera morte prematura. De quando éramos pequenos e tínhamos medo de coisas que não metem medo a gente velha. Houve um dia em que veio a trovoada, e a partir desse dia sempre que chove nós nem notamos, e queremos lá saber de guarda-chuvas metafóricos que, findas as contas, nunca se revelaram mais do que isso mesmo, metáforas. Estado de luto permanente por aquilo que podia ter sido mas nunca foi, ou analgesia sentimental dada a facilidade de viver sem sentir, diz-me tu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Fantasmas


Um dia, quando ainda era pequena, vi um filme sobre fantasmas. Eram pessoas transparentes, sem pés, com uma expressão esquisita e dizia-se que flutuavam (embora naquela altura eu não compreendesse muito bem o que era flutuar). Apareciam, normalmente, em casas escuras com pessoas assustadas e tristes e a horas pouco convenientes. Nunca falavam, emitiam antes uns sons estranhos, "Buuuh, buuuh", faziam eles e nunca ninguém chegava a perceber muito bem o que queriam dizer com isso. Talvez fosse por isso que as pessoas fugiam, deviam ir a correr procurar um dicionário de Fantasmês-Português à Biblioteca Municipal mais próxima. Eu, pessoalmente, acho que àquelas horas as Bibliotecas não estavam abertas, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Há cada coisa mais bizarra neste mundo.

Poucos anos depois passei a ter outra noção do que era ser fantasma. Não era coisa fácil como parecia. Era preciso assustar as pessoas, fazê-las passar por coisas que as fizessem tristes e amedrontadas e isso implicava um grande trabalho de casa. Imaginem: se um fantasma tivesse umas cinco pessoas para assustar, num mês teria de as conhecer a todas para fazer bem o seu trabalho. Para acréscimo há a sincronização com a filmagem e com os efeitos de cenário, enfim, profissão de risco, talvez tão ou mais complicada que a profissão de médico ou polícia.

Já hoje, descobri que tenho uns fantasmas. Não é algo que se peça para ter, acontece como a maior parte das experiências da vida, e esta pode-se considerar desagradável. Continuam a aparecer à noite ou em alturas de solidão e em vez do tradicional “buuuh, buuuh”, apertam o coração e fazem gemer, chorar, espernear. Talvez existam em espécies diferentes, estas bichezas. Já reparei também que não têm forma física, atrevia-me até a dizer que se alojam no cérebro quando temos assuntos por resolver e crescem como minhocas, ou como outro parasita qualquer. Não sei ainda se se multiplicam, se são tipo microrganismos que precisam de umas condições específicas para sobreviver e, consequentemente, não sei como os combater. Se calhar há um antídoto no supermercado ou um neurocirurgião pode apanhá-los e extraí-los do cérebro, não sei. Também já pensei em secar a cabeça com ar quente para repeli-los, como se vê fazer aos leões na selva (Com os leões não é bem ar quente… É fogo… Mas não me pareceu muito agradável a ideia de queimar a cabeça e dada a invisibilidade das criaturas, talvez sejam apenas umas coisitas pequenas.).

Enquanto isso, quando eles fazem a sua visita diária, aperto a cabeça e o peito com muita força para não os deixar entrar nas minhas memórias e sentimentos e espero que isso resulte. Costumo adormecer ao fim de alguns minutos deste exercício. Outras vezes visto o fato de treino e corro para espantá-los. E com o vento gelado que tem estado, penso que já devo ter corrido com alguns. Tentei imaginar o lado positivo desta questão: talvez este esforço queime calorias. No entanto, acho que prefiro continuar a correr e abdicar deste e daquele muffin de chocolate em vez de ter de viver com fantasmas acoplados.