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sábado, 11 de abril de 2009

Fantasmas


Os fantasmas assombram as mentes, e tu morres.


Não, não me leves para esse patamar porque felicidade a mais provoca cancro de pele. Eu sei que as tuas palavras não se vendem, mas dão-se de graça, e essas são fáceis porque se dão sem que peçamos. Não gosto de coisas que se dão sem luta.
Quero luta. Quero luta.

Às vezes sentas-te em frente à vida e deixas que fantasmas te comam a mente, não é?
Eu noto quando os carinhos não te saem, ou quando ficas apático, ou quando forças um sorriso menos feliz. Acho que te consigo distinguir através de todos os passados que trazes agarrados ao corpo e à alma.

Acho que nem te apercebes de como os pretéritos imperfeitos te predominam na língua, ou de como ainda atiras os olhos para o chão quando recordações te invadem a mente.

Dejá-vu.

Olha, eu não quero isto. Não assim. Não o ter de lutar para conseguir mais e melhor, não o ter de desviar o assunto só para não deixar que voes para o passado que te fugiu e que me parece ainda quereres agarrar. Não quero ver fantasmas entre nós, porque fantasmas comem amor, e um dia há-de chegar em que coma o nosso. coiso.

A perfeição é sempre a utopia, amor . Nunca um ponto de partida.

Eu sei que os fantasmas não morrem, mas podem ser asfixiados.
Eu já asfixiei os meus.
Consegues fazer o mesmo?

é que eles gelam-me a alma.

terça-feira, 31 de março de 2009

Melancolia


Estou a escrever à medida que ouço uma música triste, não sei se alguma vez aconteceu a algum de vocês (leitores) , pararem no tempo e reflectir sobre todas as pessoas que ja passaram na vossa vida, bem, a mim já. Neste momento não posso deixar de pensar no 24 de Agosto de 2006, muito menos quando conheci o meu melhor amigo. Desculpem. Foi sem querer, não quis ser fria, não vou começar a tornar este texto demasiado irónico, quero mostrar-vos como tenho sentimentos e os sei demonstrar, mesmo que por vezes sinta uma certa dificuldade em fazê-lo, para que assim seja, vou dedicar este desabafo ao rapaz que durante muito tempo me fez mais feliz.

Eu tenho de confessar uma coisa. Tu fizeste-me verdadeiramente feliz, nunca o vou negar. É indispensável agradecer-te por me teres feito esquecer momentaneamente o que é a tristeza, o sofrimento. É também tranquilizante sussurar-te enquanto choro, de que se algum dia agi de cabeça quente, perdoa-me, eras a ultima, acredita em mim, a ultima pessoa que eu queria magoar. Sempre que nomeares pessoas a quem moldaste o coração,por favor, não te esqueças de me mencionar, tornaste-me uma pessoa melhor, juro-te.Não sei se esta, esta coisa, te está a custar tanto a ti como a mim, mas caso esteja, lembra-te de que nada é para sempre e tudo tem um fim, nem que esse se adie até ao dia da nossa morte. Esquece as melancolias, as discussões, as atrocidades que disssémos um ao outro, os prejúrios, lembra-te sempre dos sorrisos, abraços, pequenos coraçõezinhos, lembra-te de mim, dos meus olhos azuis e verdes (conforme o tempo), a olhar para os teus olhos verdes lembra-te de ti a revirares-me o cabelo, mas acima de tudo, lembra-te de nós, que fomos, somos e sempre seremos, parte de algo muito grande, quer tenha este fim ou não.


"quem deixou o coração sobre um feixe de luz, não cega nunca".

segunda-feira, 30 de março de 2009

Retrato




Estava no pátio de um castelo antigo, construído de emoções. As escadas eram de papel e a música começava a ser a de sempre. Fechou os olhos e ele apareceu calmamente, como se sempre tivesse existido.
Não conhecia o momento a partir do qual ele tinha começado a conhecer o barulho dos seus passos, naquele paraíso inventado, nem sabia sequer se isso o desencanta. O que sabia era que aquela intimidade lhe trazia certezas fáceis de sentir – Gostava tanto de estar ali com ele !
Não conhecia as ruas por onde ele andava, nem o autocarro que o levava de volta a casa. Não sabia a que cheirava Lisboa num maravilhoso dia de sol, nem a qual a sensação visual ao vê-lo, com a camisa desapertada, no fim de mais um dia de trabalho. Não sabia se os seus olhos mudavam de cor com a chuva, nem qual a cadeira que ele usava quando se sentava na cozinha, a jantar. Não sabia qual o nome do seu amigo mais antigo, nem qual o cheiro do seu casaco de Inverno preferido.
Para ela, ele era um homem de pés descalços, feliz e surpreso, na areia morna de numa praia numa noite de verão.
Uma fotografia, a dois, num fim de estação, ventoso e frio.
Era todas as músicas deste mundo e do outro. As palavras maravilhosas que escrevia e os dias quentes de Verão.
Era cada um dos sonhos partilhados em mais uma noite de palavras na qual as paredes daquele castelo, só deles, tomava forma.
Era o passado e o presente, sem medos.
Não o conhecia pelo que aparentava ser. Conhecia-o pelo que era.
E nunca deixou de assim ser.