
Os fantasmas assombram as mentes, e tu morres.
Não, não me leves para esse patamar porque felicidade a mais provoca cancro de pele. Eu sei que as tuas palavras não se vendem, mas dão-se de graça, e essas são fáceis porque se dão sem que peçamos. Não gosto de coisas que se dão sem luta.
Quero luta. Quero luta.
Às vezes sentas-te em frente à vida e deixas que fantasmas te comam a mente, não é?
Eu noto quando os carinhos não te saem, ou quando ficas apático, ou quando forças um sorriso menos feliz. Acho que te consigo distinguir através de todos os passados que trazes agarrados ao corpo e à alma.
Acho que nem te apercebes de como os pretéritos imperfeitos te predominam na língua, ou de como ainda atiras os olhos para o chão quando recordações te invadem a mente.
Dejá-vu.
Olha, eu não quero isto. Não assim. Não o ter de lutar para conseguir mais e melhor, não o ter de desviar o assunto só para não deixar que voes para o passado que te fugiu e que me parece ainda quereres agarrar. Não quero ver fantasmas entre nós, porque fantasmas comem amor, e um dia há-de chegar em que coma o nosso. coiso.
A perfeição é sempre a utopia, amor . Nunca um ponto de partida.
Eu sei que os fantasmas não morrem, mas podem ser asfixiados.
Eu já asfixiei os meus.
Consegues fazer o mesmo?
é que eles gelam-me a alma.
