Já vivi muitos abraços e sinto-me sortuda por isso. Abraço de mãe, de pai, de irmã, tia, tio, primos e avós, amigo, amiga, colega e, se calhar, também de desconhecido. Por isso, para mim, abraço é algo comum, que se dá acompanhado pelas prendas de Natal.
No entanto, existem abraços que fogem à regra. São aqueles que acendem a alma, se é que esta existe. São pontos de luz, que nos recrutam da rotina da vida e dos outros momentos mais infelizes. E esses abraços, merecem destaque.
*
Estava frio, naquela noite. Tinha o cobertor, o carapuço, mas nem mesmo o pijama forrado de algodão me aquecia o suficiente. Foi aí que um bater leve na porta me despertou do sono leve e me levou a descer as escadas. Quando o fiz ele estava lá. Independentemente das doenças, do frio ou da chuva, lá estava ele, com uma oferta pouco comum. Era o abraço. Apertou-me contra ele, como se os seus braços fossem um escudo protector e embalou-me, suavemente e da maneira correcta, como quem cura sem medicina. O calor regressou, o sono tranquilizou o momento e adormeci ali, nos seus braços, feliz como nunca tinha sido, por causa do abraço.
Becas