quarta-feira, 9 de junho de 2010

.Não importa. Não importa. Se eu começar a escrever coisas sem sentido, será que o mundo vai deixar de descrever a sua órbita tão eliptica em torno do sol? Prepara-te, é dadaismo puro em palavras histéricas. Com camisa de forças, e só me sinto a gritar. Nada muda, é sempre a mesma coisa, as mesmas coisas, as pessoas a matarem, as pessoas a morrerem, as pessoas a colocarem-se no centro do mundo como se fossem DEUS, mas DEUS nem existe, haviam todos de saber. Se todos soubessem que DEUS não existe ainda se matavam mais, ainda se morria mais, ainda bem que DEUS existe e se vende nas drogarias, porque senão isto seria tudo um grande caos, e aí sim seria o fim do fim, seja lá isso o que for.
.....E eu também acredito em DEUS, porque me olho todos os dias ao espelho e digo que sou capaz de tudo, que movo montanhas com as minhas mãos e que arranco o branco das nuvens com a minha boca. DEUS sou eu, e és tu que me lês, e somos todos feitos da mesma matéria, somos todos pequenos deuses de tudo, que é como quem diz, de nada. E não há maior manifestação divina do que o choro de quem nasce, do espasmo de quem tem um orgasmo, do arrepio de quem tem frio.
.....E se isto não fosse assim, esta decadência nas ruas, esta podridão nas cabeças, só te digo que preferia viver na rua do que ter quatro paredes e um tecto. É utópico é, mas há quem viva a acordar às seis, a levar os filhos ao infantário, a ir trabalhar, nem sequer gosta do chefe que é mal educado e que já lhe propôs coisas sexuais, e até se é uma mãe de família, mas leva-se com aquilo tudo todos os dias porque se precisa, há quem viva a ir buscar os filhos ao infantário, a fazer o jantar, porque tem o marido cansado coitadinho a descansar e a ver a bola, e há quem viva a adormecer estremecendo, a um ritmo cadenciado, como quem já nem sente, já são tantos anos, e o desgaste e a falta de pormenores por descobrir já é tão grande. Mas há quem viva a ser uma mulher e mãe exemplar, e há que trabalhar e procriar, porque para outra coisa não fostes criados, seus vermes imbecis. Olhem que DEUS castiga.

.....E isto não e nenhuma espécie de catarse revolucionária, como quem vai mudar o mundo ou fazer uns valentes cortes. Não. Tenho tantos sorrisos no corpo que era preciso uma vida para os sorrir a todos. Vamos lá comer tremoços, que agora assim de repente, me parece a resposta mais adequada para todo o sentido da existência.