sábado, 25 de setembro de 2010

Balanço

Li ontem num ficheiro de Psicologia Social que a adolescência se prolonga até aos 18/20 anos e fiquei aliviada. Sempre me achei demasiado instável e indecisa para a minha idade, que devia ser mais calma, ponderar bem e decidir com alguma agilidade, e nunca consegui ser assim. De precipitada passei a extremamente indecisa. De decisões rápidas e mal pensadas passei a decisões lentas, muitas vezes a não-decisões. Isto porque ficava dias, semanas, meses a ver prós e contras e nunca chegava a conclusão nenhuma. Não me parecia que houvesse um lado que merecesse ser escolhido. Sempre tendi para o exagero.
Continuo assim, mas acho que agora tenho uma noção do que quero fazer. Um ano parada fez-me bem. Todas as pessoas me julgaram. "Ah, porque devias estar na faculdade como nós, já fizeste um ano de melhorias, tens de avançar", dizia a amiga que passou de bestial a besta, precisamente por causa da faculdade. "Ah, porque Coimbra é uma óptima cidade para se estudar", dizia a avó que mal sabe ler. Todos temos defeitos, todos cometemos erros e tomamos decisões que nem toda a gente aprova. Eu própria não gostei a 100% da decisão que tomei, mas sei que teve de ser e olhando para trás, faria o mesmo se tivesse que regressar àquele dia de Janeiro em que fiz as malas e entreguei a chave do quarto à cusca da porteira. Foi dos dias mais felizes da minha vida. Nunca me vou esquecer do que senti quando pousei as malas no comboio e pensei "Nunca mais cá volto!".
Depois foi um ano complicado. Ninguém pense que foi maravilhoso estar em casa meses a fio sem incentivos para estudar. Vir para casa foi o oposto de desistir e tive de travar batalhas diárias para estudar 6h a 8h num ambiente de fome e de sono. Fartei-me de ver os móveis da sala, os livros, as rotinas de quem realmente vivia, as cadeiras do Norteshopping começaram a reconhecer-me e lá consegui chegar ao fim do ano com tudo estudado. Não tão bem como devia ter sido, mas foi o melhor que consegui.
O que retiro deste ano não é só isto. Sim, provei que consigo ser persistente e que tenho uma força de vontade enorme, que sei-me sacrificar e esforçar, mas consegui reflectir num monte de coisas que sei, que se tivesse uma rotina, não o faria. Livrei-me de sentimentos maus, de coisas que não tinha ultrapassado, pensei de diferentes maneiras e pus-me em paz comigo mesma. Posso dizer que neste momento sou feliz e que entrar na faculdade é a cereja em cima do bolo. Estou em paz comigo mesma e o que vier é lucro. Claro que não vou cruzar os braços agora. Vou é arregaçar as mangas, porque a minha vida está prestes a começar. E quem sabe com o tempo, talvez passe de adolescente a adulta.