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terça-feira, 27 de julho de 2010

Demasiado Sentido Para Ter Sentido

Eu perguntei-lhe e ele respondeu que são vidas que sobem e descem como ruas do Porto ou de outra cidade qualquer e se houve coisa que eu pensei foi que a resposta não era estranha, pensei antes que a resposta foi algo bem respondido e bem inteligente para o contexto em questão que, por acaso, nunca cheguei a saber qual era. E nisto, muito repentinamente, muito rapidamente, muito ferozmente e uma data de coisas começadas em muito e acabadas em mente que não mentem e costumam ficar na mente, ele subiu as escadas e veio ter comigo. O que vocês ainda não sabiam era que a conversa anterior tinha sido feita em posição de serenata. Nada de perversidades, eu estava na varanda cá em cima e ele lá na porta em baixo, ficam assim agora a saber. Como disse, subiu as escadas para vir ter comigo. E aí o mundo mudou. Entrou uma luz dourada magnífica, belíssima pela porta do meu quarto que me atravessou o coração e me embelezou aos olhos dele e ele beijou-me e pediu-me o pé em casamento. Na primeira tentativa ia pedir a mão, mas escorregou nuns trapitos que lá pelo chão andavam e lá teve de ser o pé, também se querem que vos diga pedir a mão é muito banal e ele com o seu único olho e eu com os meus oito dedos sempre tentamos fugir a essas coisas comuns. Casualidades, formalidades e o casamento veio para nos casar. Era meia noite e o meu amor tardava. Pensei que me ia fugir mas entretanto lá chegou ele com as flores que apanhou e um brinquedo pró menino, já dizia a Deolinda. Foi pena a criança ainda não ter nascido na altura, feita já devia estar, então com as demais tentativas até já podia ter nascido outro exército alemão com armaduras de kevlar e munições, espaço era coisa que não devia faltar.

Fim.