Eu sei dizer adeus.
Se é isso que te preocupa, se é por isso que não sabes ir embora, já vais tarde. Se é isso que te invade os sonhos e os torna em pesadelos, dorme descansado. Se é por minha causa que ainda olhas para trás, continua, eu não me perco.
Se é por isso que tanto hesitas em seguir, eu aprendi a dizer adeus.
Aprendi a dizer adeus de costas voltadas ao passado, aprendi a dizer adeus de olhos fechados às memórias, aprendi a dizer adeus de lágrimas cerradas à revolta. Aprendi a dizer adeus com um sorriso nos lábios e um nó nas palavras, podes ir embora. De que tens tu medo, se quem perde sou eu?
Se é por tantas histórias que contas, eu já li todos os possíveis finais.
Vais embora, como eu sempre esperei que fosses. Vais para longe, sem saberes de onde vieste. Vais seguir em frente porque toda a tua vida se passa a alta velocidade e tu já paraste tempo demais perto de mim. Vais fugir das palavras porque não sabes como as falar.
Tudo bem, eu já sabia, podes ir-te embora.
Tu vais, o sorriso fica.
- adeus.
não fizeste nada de mal, até porque:
' não há nada completamente errado no mundo,
até um relógio parado consegue estar certo duas vezes por dia. '
quinta-feira, 1 de julho de 2010
homem, não tenhas medo, a escuridão em que estás metido aqui não é maior do que a que existe dentro do teu corpo, são duas escuridões separadas por uma pele, aposto que nunca tinhas pensado nisto, transportas todo o tempo de um lado para outro uma escuridão, e isso não te assusta, há bocado pouco faltou para que te pusesses aos gritos só porque imginaste uns perigos, só porque te lembraste do pesadelo de quando eras pequeno, meu caro, tens de aprender a viver com a escuridão de fora como aprendeste a viver com a escuridão de dentro, agora levanta-te de uma vez, por favor, mete a lanterna no bolso, que não te serve de nada, guarda os papéis, já que fazes questão de os levar, entre o casaco e a camisa, ou entre a camisa e a pele.
- saramago
- saramago
terça-feira, 15 de junho de 2010
releio. misturo o que é de mim com o irreal, mesmo que exista muito de irreal em mim. queria dizer-te que sim, a tudo. sentir-te que sim, porque sim. aquelas paredes minhas já não me pertencem, de onde sou? não me reconheço, nem os reconheço. o mundo desabou assim que deixei acontecer o que eu própria tinha proibido. lembro-me do que já esqueceste, com todos os detalhes que não te significaram. não havia nada para significar. lembro-me apenas do que quero lembrar, sabendo que deveria esquecer. ignorar é o que faço perante os outros, perante ti quando em mim existes. sempre. os mesmos relatos, outras palavras. canso. canso-me. onde está o significado das coisas? perdi-o.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Please Try
O ser cresce de dentro para fora. Se puseres água na planta, ela entra nas raízes e força o caule a crescer, as folhas a nascer, as flores a desabrochar. A terra do canteiro é fértil e deves usá-la para fazer a plantar crescer. Se tiveres dois meios ligados por um tubo, e um deles tiver mais água do que o outro, esta vai ter tendência a movimentar-se do meio com mais água para o meio com menos água, entende-me. Chama-se osmose. Não vale de nada manteres um paciente ventilado, se quando lhe retirares o oxigénio, ele morrer por asfixia.
Não sei dizer isto de outra forma.
Não sei dizer isto de outra forma.

"O amor é fodido.
Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.
É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.
Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para o pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."
'O amor é fodido.'
Miguel Esteves Cardoso.
Se ainda valer a pena sabes como me encontrar. Diz alguma coisa se ainda acreditares em tudo.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
.Não importa. Não importa. Se eu começar a escrever coisas sem sentido, será que o mundo vai deixar de descrever a sua órbita tão eliptica em torno do sol? Prepara-te, é dadaismo puro em palavras histéricas. Com camisa de forças, e só me sinto a gritar. Nada muda, é sempre a mesma coisa, as mesmas coisas, as pessoas a matarem, as pessoas a morrerem, as pessoas a colocarem-se no centro do mundo como se fossem DEUS, mas DEUS nem existe, haviam todos de saber. Se todos soubessem que DEUS não existe ainda se matavam mais, ainda se morria mais, ainda bem que DEUS existe e se vende nas drogarias, porque senão isto seria tudo um grande caos, e aí sim seria o fim do fim, seja lá isso o que for.
.....E eu também acredito em DEUS, porque me olho todos os dias ao espelho e digo que sou capaz de tudo, que movo montanhas com as minhas mãos e que arranco o branco das nuvens com a minha boca. DEUS sou eu, e és tu que me lês, e somos todos feitos da mesma matéria, somos todos pequenos deuses de tudo, que é como quem diz, de nada. E não há maior manifestação divina do que o choro de quem nasce, do espasmo de quem tem um orgasmo, do arrepio de quem tem frio.
.....E se isto não fosse assim, esta decadência nas ruas, esta podridão nas cabeças, só te digo que preferia viver na rua do que ter quatro paredes e um tecto. É utópico é, mas há quem viva a acordar às seis, a levar os filhos ao infantário, a ir trabalhar, nem sequer gosta do chefe que é mal educado e que já lhe propôs coisas sexuais, e até se é uma mãe de família, mas leva-se com aquilo tudo todos os dias porque se precisa, há quem viva a ir buscar os filhos ao infantário, a fazer o jantar, porque tem o marido cansado coitadinho a descansar e a ver a bola, e há quem viva a adormecer estremecendo, a um ritmo cadenciado, como quem já nem sente, já são tantos anos, e o desgaste e a falta de pormenores por descobrir já é tão grande. Mas há quem viva a ser uma mulher e mãe exemplar, e há que trabalhar e procriar, porque para outra coisa não fostes criados, seus vermes imbecis. Olhem que DEUS castiga.
.....E isto não e nenhuma espécie de catarse revolucionária, como quem vai mudar o mundo ou fazer uns valentes cortes. Não. Tenho tantos sorrisos no corpo que era preciso uma vida para os sorrir a todos. Vamos lá comer tremoços, que agora assim de repente, me parece a resposta mais adequada para todo o sentido da existência.
.....E eu também acredito em DEUS, porque me olho todos os dias ao espelho e digo que sou capaz de tudo, que movo montanhas com as minhas mãos e que arranco o branco das nuvens com a minha boca. DEUS sou eu, e és tu que me lês, e somos todos feitos da mesma matéria, somos todos pequenos deuses de tudo, que é como quem diz, de nada. E não há maior manifestação divina do que o choro de quem nasce, do espasmo de quem tem um orgasmo, do arrepio de quem tem frio.
.....E se isto não fosse assim, esta decadência nas ruas, esta podridão nas cabeças, só te digo que preferia viver na rua do que ter quatro paredes e um tecto. É utópico é, mas há quem viva a acordar às seis, a levar os filhos ao infantário, a ir trabalhar, nem sequer gosta do chefe que é mal educado e que já lhe propôs coisas sexuais, e até se é uma mãe de família, mas leva-se com aquilo tudo todos os dias porque se precisa, há quem viva a ir buscar os filhos ao infantário, a fazer o jantar, porque tem o marido cansado coitadinho a descansar e a ver a bola, e há quem viva a adormecer estremecendo, a um ritmo cadenciado, como quem já nem sente, já são tantos anos, e o desgaste e a falta de pormenores por descobrir já é tão grande. Mas há quem viva a ser uma mulher e mãe exemplar, e há que trabalhar e procriar, porque para outra coisa não fostes criados, seus vermes imbecis. Olhem que DEUS castiga.
.....E isto não e nenhuma espécie de catarse revolucionária, como quem vai mudar o mundo ou fazer uns valentes cortes. Não. Tenho tantos sorrisos no corpo que era preciso uma vida para os sorrir a todos. Vamos lá comer tremoços, que agora assim de repente, me parece a resposta mais adequada para todo o sentido da existência.
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