Mostrando postagens com marcador coração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coração. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Hope. (?)

Tocaste o chão com os joelhos e agarrando firmemente a minha mão, prometeste proteger-me. Forçaste-me a erguer a cabeça para procurar no azul turquesa do céu, a esperança já morta do verde seco da relva. Secaste-me as lágrimas e enunciaste:
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.

Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

E...

Eu vou continuar a correr, está bem? Vou ansiar ininterruptamente por qualquer coisa que não sei o que é nem onde está. E vou percorrer novos rios, mas sempre na margem (porque eu sou decadente, e os decadentes ficam sempre na margem do rio). Nunca irei por trilhos traçados, porque esses afundam vontades e opiniões.

'E vais sozinha? '

Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.

'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.

'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.




[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nós.

Eles gostam-se tanto que às vezes perdem-se um no outro. Deixam de ser eles, para serem uma mistura de si e do outro.Começam a ver o mundo com cores diferentes, cores vivas. Começam a ver a verdade tal como o outro a vê. Começam a respirar a um ritmo diferente. Até a pulsação cardíaca fica diferente.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.