Tocaste o chão com os joelhos e agarrando firmemente a minha mão, prometeste proteger-me. Forçaste-me a erguer a cabeça para procurar no azul turquesa do céu, a esperança já morta do verde seco da relva. Secaste-me as lágrimas e enunciaste:
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.
Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.