A necessidade da certeza das coisas nos lugares certos, das palavras nas bocas que se repetem, das tentativas (frustradas?) de esticar os adjectivos de tudo até ao eterno.
na minha árvore, nenhuma folha é perene, são todas caducas. na minha árvore, quando chega o Inverno, e se fazem sentir ventos fortes e chuvas ácidas, as folhas caem.
Vem o jardineiro, e limpa.
sento-me à secretária, estão horas iguais à minha espera, mas algo me rouba tempo.
conversas.
como se todas as pessoas tivessem árvores maiores que a minha, e fossem de folhas perenes. como se essas mesmas pessoas tratassem das respectivas árvores todos os dias para que tais folhas nunca tocassem o chão.
é a tal tentativa de esticar todos os adjectivos numa escada até ao eterno, percebes? Vais colhendo certezas, regas a tua árvore, as folhas não caem, mais um degrau , 'mas o que é que eles esperam de mim?', mais uma certeza, 'é isto que é suposto fazer', mais um degrau, regas a tua árvore e as folhas não caem. as tuas folhas não caem, porque tu cresces e aprendes que as coisas são desta e daquela forma, e não podem ser de outra porque ninguém te vai ouvir se tu falares baixinho.
na minha árvore as folhas são caducas, caem porque são eternas apenas enquanto estão presas aos ramos. não rego a minha árvore, porque acho que os adjectivos não esticam para lá de mim. nunca chegarão ao eterno. os meus adjectivos começam e acabam em mim. gosto de passar tardes inteiras a olhar para as folhas da minha árvore, mas elas nascem e morrerm, e eu passo, como chuva.
E quando elas morrem e caem, o jardineiro varre-as.
O jardineiro está sentado por debaixo de árvores de folhas perenes também.
Nunca te esqueças disso.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hope. (?)
Tocaste o chão com os joelhos e agarrando firmemente a minha mão, prometeste proteger-me. Forçaste-me a erguer a cabeça para procurar no azul turquesa do céu, a esperança já morta do verde seco da relva. Secaste-me as lágrimas e enunciaste:
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.
Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.
Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
E...
Eu vou continuar a correr, está bem? Vou ansiar ininterruptamente por qualquer coisa que não sei o que é nem onde está. E vou percorrer novos rios, mas sempre na margem (porque eu sou decadente, e os decadentes ficam sempre na margem do rio). Nunca irei por trilhos traçados, porque esses afundam vontades e opiniões.
'E vais sozinha? '
Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.
'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.
'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.
[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]
'E vais sozinha? '
Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.
'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.
'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.
[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Nós.
Eles gostam-se tanto que às vezes perdem-se um no outro. Deixam de ser eles, para serem uma mistura de si e do outro.Começam a ver o mundo com cores diferentes, cores vivas. Começam a ver a verdade tal como o outro a vê. Começam a respirar a um ritmo diferente. Até a pulsação cardíaca fica diferente.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.
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