quarta-feira, 1 de julho de 2009

.....Eram os dois menores, mas tinham uma rebeldia maior que os passos que davam. ela era racional, inquieta e preocupada. ele era frio, era concreto, e livre.
.....O dia estava já marcado há mais de meses, e o local tinha sido escolhido a dedo. encontraram-se no sítio do costume, à hora do costume, com o amor do costume.
.....Beijaram-se como de costume.Ela riu-se, e o seu riso deixou-o mais uma vez sem palavras. Ela tinha uma expressão muito atípica, uma mistura grave de inocência e ousadia, com traços de mistério a delinear-lhe os movimentos. Seguiram os dois por aquela rua que já tanto os vira passar, que já tanto os guardara e os contara a outros casais, que como eles, ambicionavam o amor eterno.
.....Chegaram.
.....Como tudo estava igual. Ela ainda se recordava do cheiro dos livros, do brilho dos azulejos da parede da cozinha, das almofadas quentes, do espelho mentiroso.
.....Não ouviram a paixão bater à porta, e por isso não souberam controlar o desejo que os guiara. Ela tirou-lhe as roupas de que não gostava, e viu-o, e amou-o. E, por momentos, as coisas deixaram de existir, o céu ficou sem nuvens, os relógios abrandaram o seu ritmo, o mundo parou. Toda a acção e todas as sensações visiveis estavam agora presentes unica e exclusivamente naquele quarto, naquela cama, naqueles corpos.
.....E os ponteiros do relógio foram maus, e não esperaram. Enquanto desfrutavam um do outro e de todos os encantos que tinham por [se] descobrir, rezaram para que o tempo parásse.Mas não parou. Nunca pára. Os ponteiros apressados, estavam já atrasados para o grande final.

....................(Meia noite.)
.....Ele levantou-se, foi à cozinha, e trouxe de lá uma caixinha branca com inscrições. Chegou ao quarto, onde a foi encontrar deitada na cama que [lhes] vira amor, e deu-lhe um.Guardou o outro.
.....Ela nunca sorrira tão verdadeiramente, e nunca vira nele uma expressão tão natural e tão simples.Confessaram o seu amor um ao outro, num murmúrio que só eles ouviram.Beijaram-se uma última vez, engoliram-nos, e deitaram-se lado a lado.Abraçados. Numa esfera onde conservaram para si mesmos os seus últimos laivos de vida.
.....E, olhando o tecto já amarelo da humidade, pensaram o quão bonito era o seu amor.E deram o último suspiro, quando uma vaga de oxigénio já emocionado e drogado lhes trespassou os pulmões.Mas deram-no juntos, da forma mais sincronizada que sabiam, para que um não tivesse que viver um mero segundo sem o outro.



[escrito à muito tempo. no tempo em que as palavras custavam a sair. no tempo em que se escrevia aquilo que era insuportável pensar. ]

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Somos imortais

Encho-me de sentimento por ti, é sempre assim quando digo o teu nome. Não és perfeito, mas não queiras alcançar a perfeição, que eu também não. As pessoas foram uma invenção imperfeita, criadas para se completarem umas às outras, e tu preenches uma grande parte de mim. Tu cometes erros, e eu não fico para trás, também os faço, mas eu e tu temos aquilo que pouca gente tem e muita quer, aprendemos com os erros um do outro. Estou farta de contar histórias, e não vale a pena descrever a nossa história, são palavras e, meras palavras estão muito longe de caracterizar o sentimento, não é de agora, é de sempre. Por isso, meto as nossas muitas histórias de lado. Deixa-me agradecer-te, porque és a única pessoa no mundo que não me deixa falar de mais nas coisas, à primeira, ouves até ao final, à segunda já só te deixas ouvir se souberes que não me magoa. E eu sei, que parece sempre que não gosto dessa reacção, mas quero dizer-te que em grande parte, é nisso que está o meu sorriso. Mas o meu obrigado, a ti não se fica por tão pouco, és o exemplo da mais pura amizade, dás sem pedir nada em troca, não hesitas em impedir-me de cruzar a fronteira sonho/realidade, magoas, porque preferes dizer o que pensas a deixar-me ficar no absurdo, e nunca me falhaste, como podias tu? Na amizade, não tenho qualquer falha a apontar-te.
E por muito que te critiquem, por muito que me venham falar que és isto e aquilo, não percebo porque o fazem, já deviam estar avisados que nada nos destrói, atrevo-me a dizer que somos imortais, ao tempo e às batalhas, como muita gente o sonhava. E digo-te mais, vejo em nós uma amizade que muito pouca, certamente quase nenhuma, gente tem, mas nada disto é novidade para ti.
Ensinaste-me aquilo que ninguém teve coragem de ensinar, não se volta atrás duas vezes na mesma vida, atrevo-me a dizer que és o grande professor de mim, e eu, de ti. E digo-te mais, somos um do outro, porque por muito que te tenham, é a mim que pertences. E a eternidade espera-nos, afinal, é tudo eterno enquanto dura, e o sentimento não esquece. E como poderia eu, esquecer quem és? Se eu sem ti, não me sou.
E eu não te peço nada mais, se não que me deixes continuar a ver esse sorriso todos os dias, a pertencer a esse olhar em cada momento e a ser-me nas tuas palavras, não te peço mais nada, podes até ir embora, mas continua sempre em mim. Deixo-te livre, como sempre foste porque sei que és meu, que não és capaz de abandonar a casa que tanto conquistaste, e nem que um mundo nos separasse tu te irias de mim, nem que o tempo nos desgastasse tu mudarias de caminho, é a certeza que tenho, somos imortais.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Provavelmente morro...

Gosto de ver-te passar
Anseio por ver-te passar
Mas eu não vou,
Não vou...

Adoro ver-te gozar
Quero ver-te gozar
Mas eu não estou,
Não estou...

Eu provavelmente morro com o fim da luta
Mas se te faz feliz eu paro
E recomeço com um ódio de amor
Que nao nos faça tanto mal, que não nos torne mais amargos
E nos deixe sem dúvidas, eu
Provavelmente morro com o fim da luta, mas se te faz feliz...

Hoje não vamos falar
Recuso ouvir-me falar
Mas eu não sou...
Não sou...
Forte pra te contestar
E tu queres ver-me gozar,
Mas eu não estou...
Não estou...

(Eu provavelmente morro com o fim da luta mas se te faz feliz...)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Às vezes não sei o que dizer e fico com as palavras. Às vezes há coisas que nunca digo mas que não morrem. Dizê-las é como quebrar e roubar-lhes toda a grandeza. Às vezes há coisas que não digo mas nunca esqueço. A tua mão sobre a minha mão, os teus olhos a chamarem por mim, o teu sorriso a invadir-me. Se me perguntas em que estou a pensar, eu digo “nada”. Mas esse nada cobre a minha mente e pensamento. Esse nada é maior do que o nada em que o mundo se torna. Mas não te digo. Não quero dizer todas as imagens e todos os tons da tua voz que ainda não sei como escrever porque isso é adormecer de novo. Não sei escrever as tuas mãos nem escrever o teu beijo. Ma vou continuar a escrever-te todos os dias mesmo sem dares por isso.


Ps: Ontem à tarde quis afogar-me nos teus lábios. E dizer-te que nada importa, como se violentamente o amor me arrancasse o medo.

sábado, 6 de junho de 2009

jogo de crianças.

ainda sei o peso exacto da tua morte. a minha personalidade mais excêntrica e criativa diz-me que está na altura de fazer planos para os destinos das nossas pernas. [mas eras tu o estremecer do autocarro, noites em cores cósmicas, as paisagens em degrade, com vignete nas margens- porque assim as recordações soam a belas.] quando me mataste, achei que pesavas exactamente a minha cabeça e o meu corpo, que ousa cair no de outros sem importância. e que se fodam as 21 gramas.






faz-me falta sentido e palavras de outros que me digam melhor que as minhas.
Vem na minha vela, o vento está de feição. Vem sem pressa nem medo num calmo golpe de mão. Sou corrente do golfo, brisa a vir do deserto. Tudo conflui para sul quando apareces por perto, mais perto. Navega-me mais para sul onde a onda é mais cavada. Eu quero o melhor de ti. Só quero o tudo e o nada. Às vezes duvido
se é preciso navegar, o mar só faz sentido se for o amor a mandar. Navega-me no escuro, segue a estrela do olhar. O meu desejo é um mapa e não há como enganar.
A próxima vez que me rir já sabes foi o amor que cedeu.
Da próxima vez que me rir é porque o amor me inundou e a sua água em nós correu. E o melhor veio depois porque então ríamos dois.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

You are so fucking special.
I wish I was special.











Hoje é daqueles dias em que me sinto brutalmente estúpida.
Sabem quando nós queremos tanto uma coisa, que criamos ilusões na nossa mente só para a fazermos mais real?

É.

Gosto de nos reler, na esperança de encontrar pedaços nossos que estejam camuflados.
Gosto de nadar no mar das tuas palavras, tentando tirar significados das banalidades que dizes.
Gosto de achar que as tuas frases são dúbias,para poder pensar que deixaste sempre algo por dizer.

Odeio quando deixas algo por dizer.

E depois pego num microscópio e analiso os teus smiles, analiso os teus risos, porque não quero que nada me escape.
Gosto sempre de cair na ilusão de que me tentas sempre dizer alguma coisa.
É pena que as tuas palavras não tenham outros significados.
Pena que sejam simples e banais.


E depois vens com os teus jogos de palavras, com as tuas interrogações retóricas, só para me ouvires falar.
Falar de coisas que gostas de ouvir porque te são relacionadas.Porque te fazem sentir grande.

Eu não tenho ninguém que me aumente o ego, sabes?