"Tenho saudades tuas
isso eu sei porque eu sinto no meu peito essas ruas
nunca imaginei um amor assim
e agora até ficou real
mas isso trouxe coisas atrás
no momento de uma decisão percebes tudo o que o presente faz
mesmo querendo ter alguém eu quero ter-me a mim
mas meu amor
nenhum de nós deixará de ser real
passo por essas ruas
isso eu sei porque eu sinto ter ainda no meu peito coisas tuas.”
, as minhas saudades tuas.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Aniversário

Uma prenda é algo que alguém não oferece a si próprio. É algo divertido ou algo caro, algo especial, ou manual. Hoje, uma prenda é um post, chamado "Aniversário".
Já há algum tempo que não se falavam. O Verão entrou e não se sabe se por falta de tempo ou porque outro motivo as letras não se tinham encontrado para formar palavras faladas. O tempo não parou, a idade fez o mesmo, mas as lembranças, as recordações essas, juntamente com a saudade, permaneceram no vazio ou no cheio do dia à dia.
*
O velho estava sentado no alpendre com o livro mais antigo que possuia. Fora seu pai quem lho oferecera um dia, quando completara 4 anos. Não tinha imagens, a capa era preta, e no início não tinha achado o livro algo de entusiasmante. Depois de ter lido a primeira palavra, tudo mudou. Lembrava-se como se fosse o próprio dia. E, talvez por querer voltar ao passado que o mantia vivo, mais uma vez, o velho pegou no livro e leu:
*
Está à tua espera. :) Feliz aniversário.
Um beijo saudoso,
Becas
domingo, 6 de setembro de 2009
O que vai ser de nós quando a música partir em estilhaços os ouvidos ?
Vão ser horas. horas de minutos, pintadas a vermelho e preto, que são as cores que te identifico e com as quais acho que te pintas quando acordas. vão ser abraços quentes, com sorrisos nostálgicos, e se a noite assim quiser e assim providenciar, vão ser sinapses labiais que encobrem rostos para que eles não vejam o que os incontroláveis fazem quando ninguém lhes crava os olhos.
Vai ser o som da pele a roçar na pele, a epiderme a sentir os pêlos a eriçarem-se, o quente dos corpos na noite fria de um dia de Outubro. Se um alguém deixar, um outro alguém vai pedir ao céu que não seja fátuo como é rotineiramente, nesta cidade de fábricas e gases, vai pedir para deixar que as estrelas mostrem a bainha da sua saia.
E que vai ser mais, quando a música se calar ?
Vão ser palavras dançantes e mimalhas que saem sem medo.
Eu não tenho medo de me despir quando tu estás a olhar.
Vão ser horas. horas de minutos, pintadas a vermelho e preto, que são as cores que te identifico e com as quais acho que te pintas quando acordas. vão ser abraços quentes, com sorrisos nostálgicos, e se a noite assim quiser e assim providenciar, vão ser sinapses labiais que encobrem rostos para que eles não vejam o que os incontroláveis fazem quando ninguém lhes crava os olhos.
Vai ser o som da pele a roçar na pele, a epiderme a sentir os pêlos a eriçarem-se, o quente dos corpos na noite fria de um dia de Outubro. Se um alguém deixar, um outro alguém vai pedir ao céu que não seja fátuo como é rotineiramente, nesta cidade de fábricas e gases, vai pedir para deixar que as estrelas mostrem a bainha da sua saia.
E que vai ser mais, quando a música se calar ?
Vão ser palavras dançantes e mimalhas que saem sem medo.
Eu não tenho medo de me despir quando tu estás a olhar.
domingo, 16 de agosto de 2009
"And you might say it´s self indulgent,
and you might say it´s self destructive
but, you see, it´s more productive
than if I were to be healthy."
O teu tempo esgota-se, amor. O funil pelo qual escorrem as horas e os minutos, andei a desintupi-lo. Andavam memórias nossas felizes e libertinas a tentar tornar-te um atraso de vida mais feliz. Que indulgência tão comovente, que falta de tangibilidade. Qualquer dia as desculpas, que eu gosto de inventar numa tentativa rasca e antecipadamente frustrada de te proteger, deixam de ter qualquer fundamento ou base racional notória.
Eu sei. Não pediste tempo, deste-me sem eu ter querido. Não mintas, as paredes do teu quarto viram-me chorar e tu não. Mentiroso quando dizes que está tudo bem. Nunca esteve tudo tão mal. Está bem, eu reconsidero. A verdade é que não está tudo mal. E, tentanto enunciar isto de uma forma simplista, só diria o seguinte: simplesmente não está.
Não estamos. Nem eu estou para ti quando te esqueces de dizer que me amas, nem tu estás para mim quando o meu coração começa a cavalgar a um ritmo frenético e tu pões a culpa no calor.
Nem o amor está para nós, nem nós estamos para a saudade louca a incontrolável que já não nos sai das órbitas oculares, extasiadas de excitação, encarnadas de ansiedade. Ansiedade de alguém que agora não diz que vai voltar. (ou se esquece de dizer porque o tempo das palavras já se perdeu há muito e a proximidade corporal está de greve pelo sindicato.)
Sim, eu espero. Ainda tens tempo para gastar. Algum, não pouco mas também não muito.
Estão-me a escassear as desculpas em farrapos para explicar a tua tão presente ausência.
and you might say it´s self destructive
but, you see, it´s more productive
than if I were to be healthy."
O teu tempo esgota-se, amor. O funil pelo qual escorrem as horas e os minutos, andei a desintupi-lo. Andavam memórias nossas felizes e libertinas a tentar tornar-te um atraso de vida mais feliz. Que indulgência tão comovente, que falta de tangibilidade. Qualquer dia as desculpas, que eu gosto de inventar numa tentativa rasca e antecipadamente frustrada de te proteger, deixam de ter qualquer fundamento ou base racional notória.
Eu sei. Não pediste tempo, deste-me sem eu ter querido. Não mintas, as paredes do teu quarto viram-me chorar e tu não. Mentiroso quando dizes que está tudo bem. Nunca esteve tudo tão mal. Está bem, eu reconsidero. A verdade é que não está tudo mal. E, tentanto enunciar isto de uma forma simplista, só diria o seguinte: simplesmente não está.
Não estamos. Nem eu estou para ti quando te esqueces de dizer que me amas, nem tu estás para mim quando o meu coração começa a cavalgar a um ritmo frenético e tu pões a culpa no calor.
Nem o amor está para nós, nem nós estamos para a saudade louca a incontrolável que já não nos sai das órbitas oculares, extasiadas de excitação, encarnadas de ansiedade. Ansiedade de alguém que agora não diz que vai voltar. (ou se esquece de dizer porque o tempo das palavras já se perdeu há muito e a proximidade corporal está de greve pelo sindicato.)
Sim, eu espero. Ainda tens tempo para gastar. Algum, não pouco mas também não muito.
Estão-me a escassear as desculpas em farrapos para explicar a tua tão presente ausência.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
A necessidade da certeza das coisas nos lugares certos, das palavras nas bocas que se repetem, das tentativas (frustradas?) de esticar os adjectivos de tudo até ao eterno.
na minha árvore, nenhuma folha é perene, são todas caducas. na minha árvore, quando chega o Inverno, e se fazem sentir ventos fortes e chuvas ácidas, as folhas caem.
Vem o jardineiro, e limpa.
sento-me à secretária, estão horas iguais à minha espera, mas algo me rouba tempo.
conversas.
como se todas as pessoas tivessem árvores maiores que a minha, e fossem de folhas perenes. como se essas mesmas pessoas tratassem das respectivas árvores todos os dias para que tais folhas nunca tocassem o chão.
é a tal tentativa de esticar todos os adjectivos numa escada até ao eterno, percebes? Vais colhendo certezas, regas a tua árvore, as folhas não caem, mais um degrau , 'mas o que é que eles esperam de mim?', mais uma certeza, 'é isto que é suposto fazer', mais um degrau, regas a tua árvore e as folhas não caem. as tuas folhas não caem, porque tu cresces e aprendes que as coisas são desta e daquela forma, e não podem ser de outra porque ninguém te vai ouvir se tu falares baixinho.
na minha árvore as folhas são caducas, caem porque são eternas apenas enquanto estão presas aos ramos. não rego a minha árvore, porque acho que os adjectivos não esticam para lá de mim. nunca chegarão ao eterno. os meus adjectivos começam e acabam em mim. gosto de passar tardes inteiras a olhar para as folhas da minha árvore, mas elas nascem e morrerm, e eu passo, como chuva.
E quando elas morrem e caem, o jardineiro varre-as.
O jardineiro está sentado por debaixo de árvores de folhas perenes também.
Nunca te esqueças disso.
na minha árvore, nenhuma folha é perene, são todas caducas. na minha árvore, quando chega o Inverno, e se fazem sentir ventos fortes e chuvas ácidas, as folhas caem.
Vem o jardineiro, e limpa.
sento-me à secretária, estão horas iguais à minha espera, mas algo me rouba tempo.
conversas.
como se todas as pessoas tivessem árvores maiores que a minha, e fossem de folhas perenes. como se essas mesmas pessoas tratassem das respectivas árvores todos os dias para que tais folhas nunca tocassem o chão.
é a tal tentativa de esticar todos os adjectivos numa escada até ao eterno, percebes? Vais colhendo certezas, regas a tua árvore, as folhas não caem, mais um degrau , 'mas o que é que eles esperam de mim?', mais uma certeza, 'é isto que é suposto fazer', mais um degrau, regas a tua árvore e as folhas não caem. as tuas folhas não caem, porque tu cresces e aprendes que as coisas são desta e daquela forma, e não podem ser de outra porque ninguém te vai ouvir se tu falares baixinho.
na minha árvore as folhas são caducas, caem porque são eternas apenas enquanto estão presas aos ramos. não rego a minha árvore, porque acho que os adjectivos não esticam para lá de mim. nunca chegarão ao eterno. os meus adjectivos começam e acabam em mim. gosto de passar tardes inteiras a olhar para as folhas da minha árvore, mas elas nascem e morrerm, e eu passo, como chuva.
E quando elas morrem e caem, o jardineiro varre-as.
O jardineiro está sentado por debaixo de árvores de folhas perenes também.
Nunca te esqueças disso.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
"Cace, Persiga-o em mim, é apenas em mim que ele vive. E quando o tiver na extremidade do meu fuzil, Não ouça se ele te implora. Você sabe que ele deve morrer de uma segunda morte. Então, acaba com ele... outra vez.
Chore! Eu tenho feito isso antes de você e não adiantou nada. Quão bom é os soluços (de choro) inundarem as almofadas? Eu tentei, eu tentei mas tenho o coração seco e os olhos inchados."
Chore! Eu tenho feito isso antes de você e não adiantou nada. Quão bom é os soluços (de choro) inundarem as almofadas? Eu tentei, eu tentei mas tenho o coração seco e os olhos inchados."
quarta-feira, 1 de julho de 2009
.....Eram os dois menores, mas tinham uma rebeldia maior que os passos que davam. ela era racional, inquieta e preocupada. ele era frio, era concreto, e livre.
.....O dia estava já marcado há mais de meses, e o local tinha sido escolhido a dedo. encontraram-se no sítio do costume, à hora do costume, com o amor do costume.
.....Beijaram-se como de costume.Ela riu-se, e o seu riso deixou-o mais uma vez sem palavras. Ela tinha uma expressão muito atípica, uma mistura grave de inocência e ousadia, com traços de mistério a delinear-lhe os movimentos. Seguiram os dois por aquela rua que já tanto os vira passar, que já tanto os guardara e os contara a outros casais, que como eles, ambicionavam o amor eterno.
.....Chegaram.
.....Como tudo estava igual. Ela ainda se recordava do cheiro dos livros, do brilho dos azulejos da parede da cozinha, das almofadas quentes, do espelho mentiroso.
.....Não ouviram a paixão bater à porta, e por isso não souberam controlar o desejo que os guiara. Ela tirou-lhe as roupas de que não gostava, e viu-o, e amou-o. E, por momentos, as coisas deixaram de existir, o céu ficou sem nuvens, os relógios abrandaram o seu ritmo, o mundo parou. Toda a acção e todas as sensações visiveis estavam agora presentes unica e exclusivamente naquele quarto, naquela cama, naqueles corpos.
.....E os ponteiros do relógio foram maus, e não esperaram. Enquanto desfrutavam um do outro e de todos os encantos que tinham por [se] descobrir, rezaram para que o tempo parásse.Mas não parou. Nunca pára. Os ponteiros apressados, estavam já atrasados para o grande final.
....................(Meia noite.)
.....Ele levantou-se, foi à cozinha, e trouxe de lá uma caixinha branca com inscrições. Chegou ao quarto, onde a foi encontrar deitada na cama que [lhes] vira amor, e deu-lhe um.Guardou o outro.
.....Ela nunca sorrira tão verdadeiramente, e nunca vira nele uma expressão tão natural e tão simples.Confessaram o seu amor um ao outro, num murmúrio que só eles ouviram.Beijaram-se uma última vez, engoliram-nos, e deitaram-se lado a lado.Abraçados. Numa esfera onde conservaram para si mesmos os seus últimos laivos de vida.
.....E, olhando o tecto já amarelo da humidade, pensaram o quão bonito era o seu amor.E deram o último suspiro, quando uma vaga de oxigénio já emocionado e drogado lhes trespassou os pulmões.Mas deram-no juntos, da forma mais sincronizada que sabiam, para que um não tivesse que viver um mero segundo sem o outro.
[escrito à muito tempo. no tempo em que as palavras custavam a sair. no tempo em que se escrevia aquilo que era insuportável pensar. ]
.....O dia estava já marcado há mais de meses, e o local tinha sido escolhido a dedo. encontraram-se no sítio do costume, à hora do costume, com o amor do costume.
.....Beijaram-se como de costume.Ela riu-se, e o seu riso deixou-o mais uma vez sem palavras. Ela tinha uma expressão muito atípica, uma mistura grave de inocência e ousadia, com traços de mistério a delinear-lhe os movimentos. Seguiram os dois por aquela rua que já tanto os vira passar, que já tanto os guardara e os contara a outros casais, que como eles, ambicionavam o amor eterno.
.....Chegaram.
.....Como tudo estava igual. Ela ainda se recordava do cheiro dos livros, do brilho dos azulejos da parede da cozinha, das almofadas quentes, do espelho mentiroso.
.....Não ouviram a paixão bater à porta, e por isso não souberam controlar o desejo que os guiara. Ela tirou-lhe as roupas de que não gostava, e viu-o, e amou-o. E, por momentos, as coisas deixaram de existir, o céu ficou sem nuvens, os relógios abrandaram o seu ritmo, o mundo parou. Toda a acção e todas as sensações visiveis estavam agora presentes unica e exclusivamente naquele quarto, naquela cama, naqueles corpos.
.....E os ponteiros do relógio foram maus, e não esperaram. Enquanto desfrutavam um do outro e de todos os encantos que tinham por [se] descobrir, rezaram para que o tempo parásse.Mas não parou. Nunca pára. Os ponteiros apressados, estavam já atrasados para o grande final.
....................(Meia noite.)
.....Ele levantou-se, foi à cozinha, e trouxe de lá uma caixinha branca com inscrições. Chegou ao quarto, onde a foi encontrar deitada na cama que [lhes] vira amor, e deu-lhe um.Guardou o outro.
.....Ela nunca sorrira tão verdadeiramente, e nunca vira nele uma expressão tão natural e tão simples.Confessaram o seu amor um ao outro, num murmúrio que só eles ouviram.Beijaram-se uma última vez, engoliram-nos, e deitaram-se lado a lado.Abraçados. Numa esfera onde conservaram para si mesmos os seus últimos laivos de vida.
.....E, olhando o tecto já amarelo da humidade, pensaram o quão bonito era o seu amor.E deram o último suspiro, quando uma vaga de oxigénio já emocionado e drogado lhes trespassou os pulmões.Mas deram-no juntos, da forma mais sincronizada que sabiam, para que um não tivesse que viver um mero segundo sem o outro.
[escrito à muito tempo. no tempo em que as palavras custavam a sair. no tempo em que se escrevia aquilo que era insuportável pensar. ]
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