sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A minha história de amor - I


E nisto caí. Já era bem comum às minhas caminhadas um tropeção, uma cabeçada numa árvore, cheguei mesmo a cair num buraco, mas neste dia, para compensar a sorte que não tinha tido, caí numa poça de água. Uma coisa nojenta, lamacenta com um sapo enormesco verde a fazer os típicos barulhos de anfíbio. Gritei e tentei levantar-me mas com o barulho dele a gritar contra mim, ainda me afundei mais. Em vez de ter os pés afundados na lama, fiquei com o rabo e as minhas cuecas enterradíssimas. O sapo sempre a olhar pra mim. Os berros dele ficaram mais próximos e foi aí que ví o bonito que ele era. Alto, moreno, de olhos verdes, pena estar completamente sujo, mantive as esperanças até que aquele ser extremamente belo, trocou a expressao neutra por um olhar raivoso e aí tive medo.
- Esperei 2 anos, repito, duas vezes 365 dias, para ver este fenómeno. Passei o Inverno, o Verão, o Outono e a Primavera sentado naquele pau, travei uma batalha com um urso pra conquistar o mísero pau, e agora, agora que estava quase a conseguir, tu, com o teu mau equilíbrio decidem vir cair aqui em cima? Que mal fiz eu a Deus! Por amor!!
Fiquei estática. Só ouvi blábláblá urso e qualquer coisa semelhante a números. A beleza dele era superior, como algo de um planeta longínquo, tipo Hollywood onde tudo é lindo e maravilhoso. Até as pessoas que eu considerava bonitas ou extremamente maravilhosas no meu mundo citadino eram vagabundos quando colocadas ao lado daquele ser, vindo de um Planeta distante. Foi então que me apercebi que já estava à mundo tempo calada e murmurei algo que ainda hoje não sei bem o que foi. Pelos vistos, fiz bem, porque ele mudou logo o tom de voz e amavelmente pegou em mim, deixou a minha Prada lá com o sapo, mas na altura só conseguia olhá-lo nos olhos, era secundário tudo o resto, e levou-me para uma casinha como nunca tinha visto. As paredes eram verdes de trepadeiras que as rondavam, saia fumo de uma pequena chaminé e o alpendre era feito de uma madeira que se falasse tinha muitas, infinitas histórias e estórias para contar. Pensei que estivesse a sonhar. Se calhar todo este raciocínio era resultado do bater com a cabeça numa pedra, sei lá bem, mas quando me senti enrolada naquela manta com cheiro a hortelã e ao sentir o quente da chávena chocolate na minha mão, vi que era verdade. Ele olhava-me sentado no chão, como se eu é que fosse a estrangeira e tentou perceber que língua falava. Nada me saia e talvez ele tenha ficado com a impressão de que eu era deficiente mental, não sei, mas eu só conseguia contempla-lo. E já que ia ficar com a fama queria muito o proveito.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Happy Birthday Becas




Parabéns Melhor Amiga :)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Demasiado Sentido Para Ter Sentido

Eu perguntei-lhe e ele respondeu que são vidas que sobem e descem como ruas do Porto ou de outra cidade qualquer e se houve coisa que eu pensei foi que a resposta não era estranha, pensei antes que a resposta foi algo bem respondido e bem inteligente para o contexto em questão que, por acaso, nunca cheguei a saber qual era. E nisto, muito repentinamente, muito rapidamente, muito ferozmente e uma data de coisas começadas em muito e acabadas em mente que não mentem e costumam ficar na mente, ele subiu as escadas e veio ter comigo. O que vocês ainda não sabiam era que a conversa anterior tinha sido feita em posição de serenata. Nada de perversidades, eu estava na varanda cá em cima e ele lá na porta em baixo, ficam assim agora a saber. Como disse, subiu as escadas para vir ter comigo. E aí o mundo mudou. Entrou uma luz dourada magnífica, belíssima pela porta do meu quarto que me atravessou o coração e me embelezou aos olhos dele e ele beijou-me e pediu-me o pé em casamento. Na primeira tentativa ia pedir a mão, mas escorregou nuns trapitos que lá pelo chão andavam e lá teve de ser o pé, também se querem que vos diga pedir a mão é muito banal e ele com o seu único olho e eu com os meus oito dedos sempre tentamos fugir a essas coisas comuns. Casualidades, formalidades e o casamento veio para nos casar. Era meia noite e o meu amor tardava. Pensei que me ia fugir mas entretanto lá chegou ele com as flores que apanhou e um brinquedo pró menino, já dizia a Deolinda. Foi pena a criança ainda não ter nascido na altura, feita já devia estar, então com as demais tentativas até já podia ter nascido outro exército alemão com armaduras de kevlar e munições, espaço era coisa que não devia faltar.

Fim.

sábado, 24 de julho de 2010

Cara "R", lamento informar-te mas este post não foi escrito por quem tu achas que foi. Este blog é partilhado por duas pessoas e acho que devias ter um bocadinho mais de respeito até porque lá por tu estares por todo o lado não quer dizer que sejas proprietária de tudo e de todos.
Passo a dizer também que meteres-te no que não és chamada também não é uma coisa que te fique bem. Se és assim tão sábia como demostras ser (sim, porque vens pros blogs das outras dar conselhos sem ninguém o pedir.) deves ter mais do que fazer do que andar a cuscar as coisas dos outros. Deixa que te diga que “tens muito que aprender” e “saber ser-se adulta” é deixar os desconhecidos viverem a vidinha deles sem te intrometeres. Sim, porque há vida depois de ti, “R”.
Aprender a interpretar as palavras e a reconhecer a escrita das pessoas é capaz de te ser útil no futuro. Até porque este texto era uma espécie de despedida, mas enfim, cada um vê o que mais quer ver.
Agradecia que não voltasses a este “mundo de fantasia”. Não é pessoal, mas não gostamos das tuas palavras cá.
Cumprimentos,
Becas, a segunda -.-

P.S- ahahahahah

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estávamos prometidos um ao outro assim como Pedro estava prometido a Inês de Castro, Romeu a Julieta e talvez até como os chocolates estão prometidos às mulheres em noites de Anatomia de Grey. Promessa feita às linhas do destino que traçam teias de aventuras e romances históricos e ainda vidas sem interesse algum.
Estávamos prometidos um ao outro porque provamos conseguir criar magia juntos e tal feito só tinha existido na era em que existiam dinossauros a voar em vez dos actuais aviões. Mas tudo se complicou quando as pessoas acreditaram que o destino eram elas próprias quem o criava e começaram a agir por conta própria. E eu lamento. Lamento porque é verdade e porque esta verdade nada devia alterar. Já se verifica à muito tempo mas nem todas as pessoas conseguiram abrir os olhos de maneira a o conseguirem ver. Quando o fizeram foi a chamada "loucura total" e nunca mais existiu a porra de uma alma que tivesse sossego na vida ou no que quer que elas tenham, e isto se é que elas existem. Mas quer existam quer não a realidade é a mesma e não há santo ou milagre que nos valha. Por isso bem que podemos esperar sentados tal como os alentejanos ainda esperam que as azinheiras produzam azeite "Galo" embalado e com o rótulo etiquetado, feito esse que há-de acontecer um dia, espero eu e a população alentejana também.
Esperar por ti, meu prometido, talvez já não seja uma opção; agora a vida humana é mortal e eu também quero ser feliz, mas amar-te acredito que seja a parte eterna da minha vida. Nem que te ame apenas com um bocadinho pequeno do meu coração.

domingo, 11 de julho de 2010

Isto é uma estória verídica.



Estava escuro. e frio. ele tinha ficado, porque ja era tarde e nao queria dormir. ela estava ali perto mas ele só tinha olhos para aqueles que falavam muito e riam muito. tantas foram as vezes em que ela lhe lançou olhares suplicantes, olhares sedentos de atenção, de palavras, de carinhos, de amor e abraços quentes. todos à sua volta tinham percebido que ela andava cabisbaixa, olhar sempre no chão. mas ele, egoísta e egocêntrico dizia que ela estava bem, só porque ela lhe dizia que estava sempre tudo bem.

(porra, as vezes gostava que visses para além daquilo que é visivel.)


mas estava frio. e ele ficou. ela foi, com alguém que não ele.mas alguém que já lhe tinha conquistado a atenção, que a tinha cativado desde o primeiro milésimo de segundo.

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E andaram por aquela rua muito escura, com as estrelas como tecto, com as árvores a aconchegar. Ele abraçou-a, e ela fechou os olhos porque tinha medo do escuro e gostava daquela sensação de protecção.
Foi estranho quando me perdi nele. quando deixei que ele me tocasse mesmo sabendo que não eras tu que ia encontrar quando abrisse os olhos. foi estranho dar tudo a quem nunca pediu nada. foi estranho querer sempre mais, e foi estranho ver o sorriso dele quando já estava exausto. foi lindo, mas assustador.


o tempo passou, a marca ficou.
"ao que parece, o meu corpo não te esquece.."

domingo, 4 de julho de 2010

Eu vou continuar a correr, está bem? Vou ansiar ininterruptamente por qualquer coisa que não sei o que é nem onde está. E vou percorrer novos rios, mas sempre na margem (porque eu sou decadente, e os decadentes ficam sempre na margem do rio). Nunca irei por trilhos traçados, porque esses afundam vontades e opiniões.

'E vais sozinha? '

Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.

'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.

'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.




[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]