quinta-feira, 28 de maio de 2009

I

-Não faças esse teu olhar perdido, Blimunda. Por favor não te sintas assim.
-Mas, se não consigo encontrar o caminho para casa, que outro olhar poderei eu fazer?
-Podes olhar fechando os olhos... Talvez assim consigas ver melhor e sentir-te orientada.
-Pedes-me que veja de olhos fechados?
-Sim, meu amor. De olhos bem fechados.

Blimunda fechou os olhos e manteve-os bem fechados durante algum tempo. Instantaneamente, Baltasar fez o mesmo. Se a cumplicidade realmente existe, nasceu ali, naquele momento. Foi então que, de repente, e de um modo que ainda hoje não sei explicar, os pensamentos de Sete Sóis e Sete Luas se fundiram num só, como se o dia se juntasse à noite e formasse uma sétima maravilha. Assim era mais fácil: Quatro olhos vêem melhor que dois.
Depois de se olharem mais uma vez, as vistas partiram em busca do lar perdido. O que era das Luas era dos Sóis também, especialmente naquela noite clara, de Luas e Sóis fundidos.