segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sonhos.


Cala-me as palavras, peço-te eu baixinho, conseguiste ouvir? Afasta-me os sentidos, chamo-te à atenção, consegues sentir? Troca-me os olhares, imploro-te, conseguirás ver? Diz-me que sim é não, que pronunciámos mal as palavras no meu sonho, quero acreditar nisso.
Arruma na mala tudo o que sou, vamos levar-me de viagem, viver os mundos que ainda não vivi, abraçar os lugares que ainda não imaginei, beijar todas as essencias que nunca toquei nem cheirei.
vamos ser o que não somos por segundos, vamos sonhar. Porque te sonho?

Esquece as memórias de nada nos valem no juízo, vamos viver do que fomos nos segundos em que sonhámos que podiamos ir onde não queremos chegar, onde não pensámos, não escrevemos, nem fizemos mais se não sonhar, mas sonhemos sem que a barreira nos prenda, vamos descendo à realidade que é: não quero.
Vamos apagar o facto de as palavras não nos ocuparem os dias, vamos fingir que os olhares não nos preocupam, que somos capazes de ser assim, que não somos, vamos, por momentos esquecer que existe um mundo, que existem sentimentos, e outras razões, e vamos sonhar.

Somos nós.

Toca o despertador que nunca marcámos, levantamo-nos e nada somos se não o que somos, o que não queremos, o sonho que não lembramos que vivemos durante segundos e que ficou na cama, enrolado nos lençois que os aqueceram, na noite que nos envolveu, e no som do despertador que na verdade nunca tocou porque não existiu.