[ É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas a meu lado
Enquanto o medo vai dançando à nossa volta. ]
Porque eles não gostam que eu escreva histórias tristes.
Eles não me querem ler por eu escrever "suicídio" sem ter medo.
Eles não me querem ouvir por eu não saber contar os finais felizes sem ler no papel. Por não os saber de cor.
Por isso, hoje, vou escrever uma história de encantar.
Que os faça rir, que os faça querer brincar.
Que os faça querer ir lá para fora e dizer a todos como são felizes e como riem bem.
Que lhes dê uma cortina para esconderem a podridão do mundo em que vivem, e que eu gosto de ver.
Não vejam as coisas más, sonhem com as boas.
Um dia acordam do sonho, para ver que vivem num pesadelo.
Mas olhem!
A culpa não é minha.
Não sou eu que torno as coisas lúgubres. Elas são-no.
O problema é que todos se escondem nos seus sonhos cor-de-rosa.
Não é preciso estar-se sempre a rir para se ser feliz.
Não é preciso viver-se numa bolinha de sabão cor-de-qualquer-coisa-feliz para se ser, de facto, feliz.
Um grama de beijinho.