sábado, 24 de abril de 2010

Um dia sonhei que…

Tu viste-me. Eu sei que sim. Eu ouvi o teu riso escondido e senti o teu perfume forte.
Tu sabias que eu estava a cair, que estava a segurar-me só com uma mão, e ouviste-me pedir-te uma corda. (Não ouviste?)
Mas, tu não ma deste.


Acabei por cair…


Também, que pedi eu? Tu não te importavas realmente se eu estava bem. E não há cordas (nem ajudas) disponíveis para amores mortos. Há cordas só para futuros amores. Aí sim, há ajudas, e cordas, e abraços, e palavras (bonitas), e beijos, e beijos.
Para aqueles amores que já o foram e que morreram, não.
Para esses há a pena, há a comiseração, há a …indiferença?


Acabei por cair..


Parti todos os meus ossos. Já não me consigo levantar. Talvez já nem tenha vontade.
Tu corroeste-me o cérebro, sabes? Naqueles jogos de perfeição, de eternidades, de mentirinhas, de falsidade, de..de..
Corroeste-lo tanto que as hemorragias não param. E os demónios que tenho no cérebro já nem falam. Calaram-se. Acho que também morreram (como eu..).

(Continuo com os ossos partidos. E a carne morta. E a mente (e a alma) atrofiada.)














































Ouvi os teus passos. Sei que foste embora.

Sei também que não voltas mais.

(talvez nem queira. Não depois de tudo.
Fizeram de ti um Senhor Cobarde.)