Eles gostam-se tanto que às vezes perdem-se um no outro. Deixam de ser eles, para serem uma mistura de si e do outro.Começam a ver o mundo com cores diferentes, cores vivas. Começam a ver a verdade tal como o outro a vê. Começam a respirar a um ritmo diferente. Até a pulsação cardíaca fica diferente.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Sonhos.

Eram duas da tarde.
Tal como estava combinado, ela saiu de casa para ir ter com eles. Era mais um dos dias em que não havia aulas da parte da tarde, e aquele era um dia especial.
Ela ia vê-lo.
Corou.
Sentiu-se estúpida, e a sua súbita alegria pelo simples facto de o ir ver transformou-se numa espécie de nojo por si própria.
Oh, como ela gostava de se mentir. Como gostava de achar que ele tinha reparado quando ela comprara aquelas calças novas, sabendo que na realidade ele nem notara.
Chegou ao sítio combinado e já lá estavam todos.
Os seus olhos procuraram-no avidamente e, quando o viu, sentiu o seu corpo estremecer. Já estava preparada para os tremores nas pernas, e por isso não tardou a sentar-se.
E sentiu as borboletas voarem-se-lhe no estômago.
Cumprimentou todos, e quando chegou a vez de O cumprimentar tentou parecer o mais serena e descontraída possível
Ele nem notou o seu nervosismo.
E depois começaram a falar, ele a contar as novidades e ela a ouvi-lo. Não sabia o que ele estava a dizer, interessava-se só em ouvir a sua voz. E começou a ficar com calor. No seu íntimo, riu-se. Oh, ele sempre a deixara com calor. Deve ter esboçado um sorriso, e os amigos perguntaram-lhe do que se ria.
-Nada, nada. (Ele olhou para ela. Corou.)
E então, sem ninguém reparar ele pediu-lhe que viesse dar uma volta com ele.
E, mesmo sabendo o motivo da 'volta', logo se notou um brilho nos olhos dela. Ia estar a sós com ele.
-O que é que se passa?
-Nada.
-Fala comigo.
-Nada.
Agora ele tinha parado. Estava a olhar para ela com aquele olhar de irmão protector. Ela tentou fixar um ponto longe dele, tentou fugir dali, mas as pernas já não lhe obedeciam.
- Dá-me um abraço.
Ele,sem saber que aquele abraço iria despertar nela sentimentos e paixões, abraçou-a. Pôs-lhe uma mão à volta da cintura, encostou-a contra si, e deu-lhe um beijinho pequeno e doce na cara.
Ela começou a chorar. Queria sair dali, não queria ter de sentir aquilo tudo, não queria senti-lo, sabendo que não o podia tocar.
E então, foi-se desencostando dele. E ele estava tão perto... ela achou que ele conseguia mesmo ver as lágrimas a cair pela cara dela.
E, sem aviso, sem estar minimamente consciente do que estava a fazer e das repercussões que isso iria ter, ela beijou-o.
E ficaram assim durante minutos, sem que ele oferecesse resistência. E ela tocou-o, e sentiu o perfume dele e molhou-o com as suas lágrimas, e beijou-o, e disse-lhe que gostava mesmo dele.
E passado instantes, acordou.
Olhou para o relógio, e sobressaltou-se.Eram duas e um quarto.
Estava atrasada para o que havia combinado nessa tarde.
domingo, 3 de maio de 2009

Olha, queres brincar?
Eu estou aqui. Pega na minha mão. Leva-me para a (tua) terra do nunca.
Leva[nos].
Olha, estás a ver?
As minhas mãos estão frias. Os meus lábios têm cieiro.
Bolas.
Anda. Vem.
Deixa-me cheirar-te. Deixa-me chegar perto de ti.
Só mais uma vez.
Olha, queres sentir?
Nós já morremos, mas eu posso ressuscitar-nos.
Queres ver?
Eu pego na varinha de condão que não tenho mas que acabei de inventar agora e faço magia.
E faço com que voltes a sentir.
B o r b o l e t a s .
Posso obrigar-te a sentir [me]?
Posso obrigar-te a amar [me]?
Posso obrigar-te a querer voltar?
Anda.
Vem.
Finjamos que tudo não passou de um sonho mau.
"Por isso com a alma aflita, uma rapariga procura sentimentos recíprocos. Em muitos sítios onde não devia, em que já sabe que não vai encontrar nada de jeito, porque os vícios colam-se às pessoas quaisquer que elas sejam, más ou boas. E depois é tarde e uma rapariga é um ser volátil que se queima."
sábado, 18 de abril de 2009
Chamam-se refúgios

Chamam-se refúgios.
Refúgio é aquilo ou aquela pessoa com quem vais ter ao fim do dia se te sentes cansado, miserável ou só com sono.
(Porque)
Refúgio suga as tuas lágrimas e consegue substituí-las por um sorriso, ou pelo menos esforça-se para tal.
Refúgio posso ser eu, podes ser tu, pode ser até o meu cobertor verde macio, (mas)
Refúgio tem de existir sempre!
Refúgio é essencial (pois)
(Refúgio) torna as pessoas mais fortes em dias de tempestade.
Refúgio faz da tempestade pura neblina e, se dermos tempo ao tempo,
Refúgio provoca felicidade.
Chamam-se assim... porque são... refúgios.

"A razão porque dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos.
Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos 10.000 anos e um prelúdio ao que virá. Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes em cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti porque a tua alma e a minha tem que andar sempre juntas.
E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer adeus um ao outro. Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que poder para garantir que assim será. Mas se nunca nos voltarmos a encontrar e se isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes. (...)
Volta. Olha-me mais uma vez, dá-me só mais um abraço, beija-me por um segundo que seja. Sorri-me em toda a nossa cumplicidade, mostra-me de novo esse paraíso no teu olhar. Enfeitiça-me ainda com esse perfume só teu, queima-me com os arrepios do teu toque. Faz-me rir, faz-me chorar, faz-me querer partir e não ir. Agarra-me, só para me largares no instante seguinte. Ri-te, chora - mas ri-te e chora comigo. Traz-me de novo sonhos pintados no céu, dá-me só mais uma vez a lua daquela noite, regressa para um único amanhecer apenas.
Odeia-me, ama-me; permite-me amar-te, odiar-te, sentir todo um turbilhão demente de emoções. Ignora-me, ouve-me, desaparece e chama-me. Traz-me essa tua voz tímida só mais uma vez. Esquece-me, não me ames... mas volta. Volta."
in Diário da Nossa Paixão
http://www.youtube.com/watch?v=Xb2kafwVxVM
sábado, 11 de abril de 2009
Fantasmas

Os fantasmas assombram as mentes, e tu morres.
Não, não me leves para esse patamar porque felicidade a mais provoca cancro de pele. Eu sei que as tuas palavras não se vendem, mas dão-se de graça, e essas são fáceis porque se dão sem que peçamos. Não gosto de coisas que se dão sem luta.
Quero luta. Quero luta.
Às vezes sentas-te em frente à vida e deixas que fantasmas te comam a mente, não é?
Eu noto quando os carinhos não te saem, ou quando ficas apático, ou quando forças um sorriso menos feliz. Acho que te consigo distinguir através de todos os passados que trazes agarrados ao corpo e à alma.
Acho que nem te apercebes de como os pretéritos imperfeitos te predominam na língua, ou de como ainda atiras os olhos para o chão quando recordações te invadem a mente.
Dejá-vu.
Olha, eu não quero isto. Não assim. Não o ter de lutar para conseguir mais e melhor, não o ter de desviar o assunto só para não deixar que voes para o passado que te fugiu e que me parece ainda quereres agarrar. Não quero ver fantasmas entre nós, porque fantasmas comem amor, e um dia há-de chegar em que coma o nosso. coiso.
A perfeição é sempre a utopia, amor . Nunca um ponto de partida.
Eu sei que os fantasmas não morrem, mas podem ser asfixiados.
Eu já asfixiei os meus.
Consegues fazer o mesmo?
é que eles gelam-me a alma.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Menina Bailarina
Menina Bailarina
Saia rosa acizentada de tristeza
Calçada tem uma sabrina
A outra não; dera-lhe a moleza.
Tem como medo
Saltar, saltar e cair.
Uma vez aleijara-se no dedo
E passara-lhe a vontade de sorrir.
No entanto, ao fim do dia,
Lá se levanta e tenta mais uma vez.
Sente de novo a alegria
De poder dançar e contar até três.
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