sexta-feira, 30 de abril de 2010

[ É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas a meu lado
Enquanto o medo vai dançando à nossa volta. ]





Porque eles não gostam que eu escreva histórias tristes.
Eles não me querem ler por eu escrever "suicídio" sem ter medo.
Eles não me querem ouvir por eu não saber contar os finais felizes sem ler no papel. Por não os saber de cor.


Por isso, hoje, vou escrever uma história de encantar.
Que os faça rir, que os faça querer brincar.
Que os faça querer ir lá para fora e dizer a todos como são felizes e como riem bem.
Que lhes dê uma cortina para esconderem a podridão do mundo em que vivem, e que eu gosto de ver.
Não vejam as coisas más, sonhem com as boas.

Um dia acordam do sonho, para ver que vivem num pesadelo.




Mas olhem!
A culpa não é minha.
Não sou eu que torno as coisas lúgubres. Elas são-no.
O problema é que todos se escondem nos seus sonhos cor-de-rosa.
Não é preciso estar-se sempre a rir para se ser feliz.

















































































Não é preciso viver-se numa bolinha de sabão cor-de-qualquer-coisa-feliz para se ser, de facto, feliz.

Um grama de beijinho.

sábado, 24 de abril de 2010

Um dia sonhei que…

Tu viste-me. Eu sei que sim. Eu ouvi o teu riso escondido e senti o teu perfume forte.
Tu sabias que eu estava a cair, que estava a segurar-me só com uma mão, e ouviste-me pedir-te uma corda. (Não ouviste?)
Mas, tu não ma deste.


Acabei por cair…


Também, que pedi eu? Tu não te importavas realmente se eu estava bem. E não há cordas (nem ajudas) disponíveis para amores mortos. Há cordas só para futuros amores. Aí sim, há ajudas, e cordas, e abraços, e palavras (bonitas), e beijos, e beijos.
Para aqueles amores que já o foram e que morreram, não.
Para esses há a pena, há a comiseração, há a …indiferença?


Acabei por cair..


Parti todos os meus ossos. Já não me consigo levantar. Talvez já nem tenha vontade.
Tu corroeste-me o cérebro, sabes? Naqueles jogos de perfeição, de eternidades, de mentirinhas, de falsidade, de..de..
Corroeste-lo tanto que as hemorragias não param. E os demónios que tenho no cérebro já nem falam. Calaram-se. Acho que também morreram (como eu..).

(Continuo com os ossos partidos. E a carne morta. E a mente (e a alma) atrofiada.)














































Ouvi os teus passos. Sei que foste embora.

Sei também que não voltas mais.

(talvez nem queira. Não depois de tudo.
Fizeram de ti um Senhor Cobarde.)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

It´s funny how easily people beat and hurt each other, and how they don´t really give a fuck.

Protect me from what I want.

Don´t tell me babe. I´ve already realized we´re much different, and
I don´t wanna kill you. But we have to learn how to live with the
difference. If we are not able to do that, we will probably crash. end.
finito.

Protect me, protect me.

Hey! What are we fighting for? Ah? What´s your purpose? Hurt?Kill? Fuck?

(here´s a note: I hate the way you keep repeating the word fuck.love.)

" I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen,
I seem to lose the power of speech,
Your slipping slowly from my reach.
You grow me like an evergreen,
You never see the lonely me at all. "


You never see the real me at all. (?)
Here´s the fact. I´m sorry, but I know how to hurt too.
Hurting you, hurting me.
I hurt me, hurting you.


Protège moi, protège moi.












Without you I am everything.
you suck.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sabem uma coisa?
A vida é má.É.

E deve ter um trauma qualquer de infância que a leva à agressão. Gosta de dar pancada nas pessoas.
E bate, bate, bate.
A vida bate-nos tanto que nos deixa sem forças sequer para rastejar. Sem forças para respirar.

Mas, depois de dar tanta porrada nas pessoazinhas indefesas que não têm culpa de serem tão reles e tão imperfeitas, a vida dá um cobertor.
Aconchega.
Dá-nos um chupa-chupa do tamanho do mundo e diz-nos que vai ficar tudo bem.








E depois de andar quase meio ano a fingir sorrisos decidi matar-te.
Risquei-te do papel.
Lembras-te daquele dia que eu tanto falava? Daquele dia em que já nem iria recordar da tua voz?Do cheiro? Da cor?

É hoje.
É.

Adeus.




[Estou feliz.
Bah.
E desenvolvo uma reacção auto-alérgica. É que sou alérgica à felicidade.]

















E olha vidinha, não vale a pena tentares bater-me outra vez.
Eu comprei umas luvas de boxe.

domingo, 18 de abril de 2010

[ Era uma vez um 'ele' e uma 'ela'.
Era uma vez um 'eu' e um 'tu'. ]



[...]
Ele que não tente inverter a história a seu favor.
Não vai ficar por cima.

Que não lhe peça perdão, porque o que fez não tem perdão.
Simplesmente porque ele não fez nada.
Não foi ele quem estragou a pintura. Foram eles.

Mas para que ele saiba, comiserações não.
Está bem ? Penas que as guarde para ele, para quando as precisar.
Aqui a única pessoa que tem pena dela é ela mesma.
Ele não. Ela não deixa. Ok?

Porque ele não vai ficar por cima.

E que não use a dor dela para excitar o seu ego.
Que não ande por aí a espalhá-la, porque ela tem direitos de autor.
Não pense que foi o mau da fita, e ela a menina inocente.







Aqui já não há louros, nem óscares de melhor actor principal para ele.
[...]

sábado, 17 de abril de 2010

Estou a sentir-me ligeiramente molhada.
Parece chuva, mas não o é. A chuva não tem este sabor.
São lágrimas. Estão a chover-me lágrimas em cima. São tuas.

São tuas.

Mas como podem ser tuas se não sabes chorar?
Ah! Já sei. Choras de felicidade. Nunca estiveste tão bem. O teu mundo agora é preto ás bolinhas verdes, eu sei.

Eu, por aqui, vou gritando.
Vou cantando. Tentando [en]cantar-te.
E tu ouves-me. Eu sei que sim. Ouves-me mas não tomas sentido no que te grito.
Achas que te grito do fundo. É o que dá saberes-me tão bem, perceberes-me tão bem.
Eu, por cá, vou morrendo no fosso para onde me atiraste.

Mas sabes, eu sei que tu tens um problema auditivo que te reduz a capacidade de ouvir os outros.
Ouves-me mas não sabes onde estou.
E esse teu problema auditivo, ao qual eu chamo de egocentrismo, vai ser o meu maior aliado.

Porque um dia, eu vou subir uma escada paralela á tua.
[en]Cantando-te.

E vou subir, e subir, e subir.

A única diferença é que a minha escada vai ser rolante.
Porque eu já vou ter sofrido tanto, e visto tanto, e ouvido tanto, que já nada me vai deter.
E tu, como nunca sofreste nada igual, nem viste nada igual, nem ouviste nada igual, vais subir aos soluços, porque vais cair constantemente,tropeçando nos vidros que atiras para o chão antes de o pisares.

E um dia vais-te sentir molhado. Como eu me sinto agora.
E vais-te aperceber que as minhas lágrimas vão estar a chover em ti.
Porque tu conheces tudo de mim, até o sabor das minhas lágrimas.
As tais lágrimas de felicidade.




















































E as bolinhas verdes do teu mundo vão desaparecer.
E depois vais ser aquela cor que não é cor, que é vazia, que é opaca, e que tu vestes na perfeição.
Vais pintar um sol preto no teu céu e vais rir.

Voltaste às origens.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

hum.

O espanto da vida, do que fomos e do que somos, agora que o tempo passa mais rápido. Tenho saudades dos dias que eram nossos, achando o futuro tão longínquo que nos olhávamos ao espelho, achando-nos iguais, sempre. Que caminho teremos nós percorrido que vem dar a esta espécie de coisa nenhuma que criamos. Lembro-me, vês, de quando te senti a respiração pela primeira vez e achei nisso beleza tamanha que não dormi a noite toda. Lembro-te no substantivo e no predicado, e acha a minha lembrança que eras maior do que te afiguras hoje, ou era eu mais pequena e vendo-te mais de perto, te tenho achado gigante entre gente pequena. Hoje somos nós gente pequena, no meio de gigantes desconhecidos, que nos mostram termos seguido caminhos errados. Entristece-me a falta de brilho nos olhos, o recreio de escola primária pública no qual os nossos corpos parecem ter-se tornado, a dor que antes era sentida e que nos lembrava que não podia estar sempre a chover e que agora parece arranhões que nem se sentem, porque vivemos a vida nesta nossa futilidade própria de quem espera morte prematura. De quando éramos pequenos e tínhamos medo de coisas que não metem medo a gente velha. Houve um dia em que veio a trovoada, e a partir desse dia sempre que chove nós nem notamos, e queremos lá saber de guarda-chuvas metafóricos que, findas as contas, nunca se revelaram mais do que isso mesmo, metáforas. Estado de luto permanente por aquilo que podia ter sido mas nunca foi, ou analgesia sentimental dada a facilidade de viver sem sentir, diz-me tu.