-Não faças esse teu olhar perdido, Blimunda. Por favor não te sintas assim.
-Mas, se não consigo encontrar o caminho para casa, que outro olhar poderei eu fazer?
-Podes olhar fechando os olhos... Talvez assim consigas ver melhor e sentir-te orientada.
-Pedes-me que veja de olhos fechados?
-Sim, meu amor. De olhos bem fechados.
Blimunda fechou os olhos e manteve-os bem fechados durante algum tempo. Instantaneamente, Baltasar fez o mesmo. Se a cumplicidade realmente existe, nasceu ali, naquele momento. Foi então que, de repente, e de um modo que ainda hoje não sei explicar, os pensamentos de Sete Sóis e Sete Luas se fundiram num só, como se o dia se juntasse à noite e formasse uma sétima maravilha. Assim era mais fácil: Quatro olhos vêem melhor que dois.
Depois de se olharem mais uma vez, as vistas partiram em busca do lar perdido. O que era das Luas era dos Sóis também, especialmente naquela noite clara, de Luas e Sóis fundidos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hope. (?)
Tocaste o chão com os joelhos e agarrando firmemente a minha mão, prometeste proteger-me. Forçaste-me a erguer a cabeça para procurar no azul turquesa do céu, a esperança já morta do verde seco da relva. Secaste-me as lágrimas e enunciaste:
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.
Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.
- Tudo vai ficar bem.
A minha pequenez num mundo tão grande e confuso, deixava à partida, a insegurança como protagonista. Fizeste-me crer que havia em mim força e ajudaste-me a encontrá-la. Os teus braços foram escudo, a tua voz, grito de guerra e os teus olhos, estrelas num céu nublado. Mantiveste-me quente na frígida brisa da solidão. Destruíste-a levando-me contigo. Guardaste-me num lugar bem quentinho e longe dos ataques d’outrem. Garantiste-me estadia eterna no teu coração impondo apenas uma condição:
- Não te separes de mim.
Deixei de chorar. Ninguém precisava de perceber, aliás, inexista quem compreendesse o que por nós era sentido. Tu eras herói e eu, menina indefesa. Pegamos no amor e traçamos o nosso destino. Quando a segurança finalmente substitui a sua oposta, acreditei que em ausência a minha presença subsistia.
- Estás comigo, sempre, para sempre.
Independetemente dos pensamentos da audiência, dos julgamentos do júri ou dos limites das regras, eu amei-te. Comecei a viver no dia em que os teus lábios me mostraram o sabor. Uma vida depois continuo a amar-te.
Sinto a tua falta amor.Já faz tempo que foste embora. Amanhã vou ter contigo. Já tratei de tudo. A cozinha está limpa, a garagem arrumada e as nossas coisas colocadas perto da porta. Há um bilhete sobre a escrivaninha e a vestimenta está engomada. Vestirei verde vivo. Um beijo meu amor.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
As 10 coisas que odeio em ti.
"Odeio a maneira como falas comigo
Odeio como conduzes o meu carro e
Odeio o teu desmazelo
Odeio as tuas botas de combate e como consegues ler a minha mente
Odeio-te tanto que me sinto doente…
Odeio como estás sempre certo e
Odeio quando mentes
Odeio quando me fazes rir muito e mais quando me fazes chorar…
Odeio quando não estas por perto e o facto de não me ligares,
Mas mais que tudo,
Odeio não te conseguir odiar,
Nem um, nem por um segundo.
Nem mesmo só por te odiar "
Odeio como conduzes o meu carro e
Odeio o teu desmazelo
Odeio as tuas botas de combate e como consegues ler a minha mente
Odeio-te tanto que me sinto doente…
Odeio como estás sempre certo e
Odeio quando mentes
Odeio quando me fazes rir muito e mais quando me fazes chorar…
Odeio quando não estas por perto e o facto de não me ligares,
Mas mais que tudo,
Odeio não te conseguir odiar,
Nem um, nem por um segundo.
Nem mesmo só por te odiar "
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Sonhos.

Cala-me as palavras, peço-te eu baixinho, conseguiste ouvir? Afasta-me os sentidos, chamo-te à atenção, consegues sentir? Troca-me os olhares, imploro-te, conseguirás ver? Diz-me que sim é não, que pronunciámos mal as palavras no meu sonho, quero acreditar nisso.
Arruma na mala tudo o que sou, vamos levar-me de viagem, viver os mundos que ainda não vivi, abraçar os lugares que ainda não imaginei, beijar todas as essencias que nunca toquei nem cheirei.
vamos ser o que não somos por segundos, vamos sonhar. Porque te sonho?
Esquece as memórias de nada nos valem no juízo, vamos viver do que fomos nos segundos em que sonhámos que podiamos ir onde não queremos chegar, onde não pensámos, não escrevemos, nem fizemos mais se não sonhar, mas sonhemos sem que a barreira nos prenda, vamos descendo à realidade que é: não quero.
Vamos apagar o facto de as palavras não nos ocuparem os dias, vamos fingir que os olhares não nos preocupam, que somos capazes de ser assim, que não somos, vamos, por momentos esquecer que existe um mundo, que existem sentimentos, e outras razões, e vamos sonhar.
Somos nós.
Toca o despertador que nunca marcámos, levantamo-nos e nada somos se não o que somos, o que não queremos, o sonho que não lembramos que vivemos durante segundos e que ficou na cama, enrolado nos lençois que os aqueceram, na noite que nos envolveu, e no som do despertador que na verdade nunca tocou porque não existiu.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
E...
Eu vou continuar a correr, está bem? Vou ansiar ininterruptamente por qualquer coisa que não sei o que é nem onde está. E vou percorrer novos rios, mas sempre na margem (porque eu sou decadente, e os decadentes ficam sempre na margem do rio). Nunca irei por trilhos traçados, porque esses afundam vontades e opiniões.
'E vais sozinha? '
Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.
'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.
'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.
[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]
'E vais sozinha? '
Queria saber querer isso. Poder andar com as mãos ao vento e não deixar que ninguém as prendesse. Ter um coração leve e fugaz, cujo contentamento e satisfação passasse apenas por breves encontros fugidios e esquecíveis.
'Não o é? '
Às vezes. Quando sinto sem pensar, e tento não lembrar depois. Mas às vezes, enquanto caminho na grande estrada de pedras soltas que é a vida, encontro outros como eu que não me deixam esquecer. Que eu não quero esquecer.
'Queres sentir, neste momento? Estás a sentir? '
Não digas a ninguém, é segredo. Ontem, enquanto tomava banho, descobri-lhe as impressões digitais no meu corpo. O corpo não esquece, ficou lá, para atormentar, para lembrar, para fazer sorrir. Para me dizer que vai estar sempre lá, mas que eu não vou conseguir alcançar.
[gostava de ter uma boca corajosa que fizesse as perguntas que saem pelos poros. ou então um coração pequeno que não soubesse sentir.]
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Nós.
Eles gostam-se tanto que às vezes perdem-se um no outro. Deixam de ser eles, para serem uma mistura de si e do outro.Começam a ver o mundo com cores diferentes, cores vivas. Começam a ver a verdade tal como o outro a vê. Começam a respirar a um ritmo diferente. Até a pulsação cardíaca fica diferente.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.
Por instantes, esquecem-se de quem são, perdem a identidade, e fundem-se. Fundem-se no ponto onde nenhum dos dois sabe onde acaba o céu e começa o mar.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Sonhos.

Eram duas da tarde.
Tal como estava combinado, ela saiu de casa para ir ter com eles. Era mais um dos dias em que não havia aulas da parte da tarde, e aquele era um dia especial.
Ela ia vê-lo.
Corou.
Sentiu-se estúpida, e a sua súbita alegria pelo simples facto de o ir ver transformou-se numa espécie de nojo por si própria.
Oh, como ela gostava de se mentir. Como gostava de achar que ele tinha reparado quando ela comprara aquelas calças novas, sabendo que na realidade ele nem notara.
Chegou ao sítio combinado e já lá estavam todos.
Os seus olhos procuraram-no avidamente e, quando o viu, sentiu o seu corpo estremecer. Já estava preparada para os tremores nas pernas, e por isso não tardou a sentar-se.
E sentiu as borboletas voarem-se-lhe no estômago.
Cumprimentou todos, e quando chegou a vez de O cumprimentar tentou parecer o mais serena e descontraída possível
Ele nem notou o seu nervosismo.
E depois começaram a falar, ele a contar as novidades e ela a ouvi-lo. Não sabia o que ele estava a dizer, interessava-se só em ouvir a sua voz. E começou a ficar com calor. No seu íntimo, riu-se. Oh, ele sempre a deixara com calor. Deve ter esboçado um sorriso, e os amigos perguntaram-lhe do que se ria.
-Nada, nada. (Ele olhou para ela. Corou.)
E então, sem ninguém reparar ele pediu-lhe que viesse dar uma volta com ele.
E, mesmo sabendo o motivo da 'volta', logo se notou um brilho nos olhos dela. Ia estar a sós com ele.
-O que é que se passa?
-Nada.
-Fala comigo.
-Nada.
Agora ele tinha parado. Estava a olhar para ela com aquele olhar de irmão protector. Ela tentou fixar um ponto longe dele, tentou fugir dali, mas as pernas já não lhe obedeciam.
- Dá-me um abraço.
Ele,sem saber que aquele abraço iria despertar nela sentimentos e paixões, abraçou-a. Pôs-lhe uma mão à volta da cintura, encostou-a contra si, e deu-lhe um beijinho pequeno e doce na cara.
Ela começou a chorar. Queria sair dali, não queria ter de sentir aquilo tudo, não queria senti-lo, sabendo que não o podia tocar.
E então, foi-se desencostando dele. E ele estava tão perto... ela achou que ele conseguia mesmo ver as lágrimas a cair pela cara dela.
E, sem aviso, sem estar minimamente consciente do que estava a fazer e das repercussões que isso iria ter, ela beijou-o.
E ficaram assim durante minutos, sem que ele oferecesse resistência. E ela tocou-o, e sentiu o perfume dele e molhou-o com as suas lágrimas, e beijou-o, e disse-lhe que gostava mesmo dele.
E passado instantes, acordou.
Olhou para o relógio, e sobressaltou-se.Eram duas e um quarto.
Estava atrasada para o que havia combinado nessa tarde.
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